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	<title>Compactos - Mickey Amaral</title>
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	<description>Os melhores (e piores) contos, crônicas, textos soltos e o que mais pintar...</description>
	<pubDate>Fri, 06 Mar 2009 22:34:49 +0000</pubDate>
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	<language>en</language>
			<item>
		<title>Das coisas que eu não entendo&#8230;</title>
		<link>http://mickeyamaral.blog.terra.com.br/2009/03/06/das-coisas-que-eu-nao-entendo-2/</link>
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		<pubDate>Fri, 06 Mar 2009 22:31:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>chobiel</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Deixa eu (tentar) entender uma coisa:
1. N&#227;o era a igreja cat&#243;lica que, na Idade M&#233;dia, queimava pessoas vivas por ousarem discordar ou questionar o que empurravam goela abaixo?

2. Essa igreja, na mesma &#233;poca, ateava fogo &#224;s bibliotecas, para que ningu&#233;m tivesse acesso ao conhecimento, pois isso seria perigoso &#224; hegemonia daquela institui&#231;&#227;o?

3. Essa igreja, sabemos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: small"><span style="color: #003366"><span style="font-family: Verdana">Deixa eu (tentar) entender uma coisa:</span></span></span></p>
<p><span style="font-size: small"><span style="color: #003366"><span style="font-family: Verdana">1. N&atilde;o era a igreja cat&oacute;lica que, na Idade M&eacute;dia, queimava pessoas vivas por ousarem discordar ou questionar o que empurravam goela abaixo?</span></span></span></p>
<p><span style="font-size: small"><span style="color: #003366"><span style="font-family: Verdana"><br />
2. Essa igreja, na mesma &eacute;poca, ateava fogo &agrave;s bibliotecas, para que ningu&eacute;m tivesse acesso ao conhecimento, pois isso seria perigoso &agrave; hegemonia daquela institui&ccedil;&atilde;o?</span></span></span></p>
<p><span style="font-size: small"><span style="color: #003366"><span style="font-family: Verdana"><br />
3. Essa igreja, sabemos todos, tem entre seus membros, pessoas t&atilde;o pecadoras (ou mais) do que qualquer um de n&oacute;s? (Al&ocirc;? Casos de pedofilia praticados por padres&#8230;)</span></span></span></p>
<p><span style="font-size: small"><span style="color: #003366"><span style="font-family: Verdana"><br />
4. Essa &eacute; a igreja que se utilizava do confession&aacute;rio durante a Inquisi&ccedil;&atilde;o, para &#8216;manter o rebanho cercado e quieto&#8217;, j&aacute; que tinham acesso a todos os pecados dos fi&eacute;is, com a desculpa de que 2 ou 3 &#8216;Pai Nosso&#8217; os salvariam?</span></span></span></p>
<p><span style="font-size: small"><span style="color: #003366"><span style="font-family: Verdana"><br />
5. Essa &eacute; a institui&ccedil;&atilde;o que detem um poder econ&ocirc;mico inimagin&aacute;vel, mas n&atilde;o abre os cofres para tentar erradicar a fome no mundo?</span></span></span></p>
<p><span style="font-size: small"><span style="color: #003366"><span style="font-family: Verdana"><br />
6. Agora&nbsp;um arcebispo dessa mesma igreja excomunga um cirurgi&atilde;o que tentou salvar a vida de uma menina de 9 anos, mas n&atilde;o d&aacute; o mesmo peso ao criminoso que a violentou?</span></span></span></p>
<p><span style="font-size: small">&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-size: small"><span style="color: #003366"><span style="font-family: Verdana">Ah, t&aacute;! N&atilde;o entendi bulufas&#8230; (mas e se o cirurgi&atilde;o for Budista ou Ateu??? N&atilde;o dar&aacute; a m&iacute;nima para a excomunh&atilde;o, concordam?)</span></span></span></p>
<p><span style="font-size: small">&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-size: small"><span style="color: #003366"><span style="font-family: Verdana">(por favor, meus caros, n&atilde;o achem que eu sou um radical louco raivoso, que baba pelas ventas&#8230; ao contr&aacute;rio&#8230; vejo muitos pontos positivos em v&aacute;rias religi&otilde;es, respeito todas, mas n&atilde;o entendo que uma ou outra detenha a verdade absoluta&#8230; acho, sim, que a rela&ccedil;&atilde;o com Deus &eacute; muito mais forte, por exemplo, nas ora&ccedil;&otilde;es que cada um faz, &agrave; sua maneira, quando vai dormir ou quando acorda, do que indo a um templo qualquer&#8230;)</span></span></span></p>
<p><span style="font-size: small">&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-size: small"><span style="color: #003366"><span style="font-family: Verdana">Abra&ccedil;o,<br />
Joao Luis Amaral<br />
</span></span></span></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Lista do mercado (reloaded)</title>
		<link>http://mickeyamaral.blog.terra.com.br/2009/03/04/lista-do-mercado-reloaded/</link>
		<comments>http://mickeyamaral.blog.terra.com.br/2009/03/04/lista-do-mercado-reloaded/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 04 Mar 2009 22:41:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>chobiel</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Homens s&#227;o, usualmente, ing&#234;nuos. Mulheres s&#227;o, maioria esmagadora, diab&#243;licas, perspicazes, lobas ferozes em pele de cordeiro, lingerie com rendas, unhas pintadas e perfumes franceses.
&#160;
Homens agem, sem qualquer tra&#231;o de maldade, de maneira rude, como se suas idades somente pudessem ser estabelecidas por Carbono 14. Selvagens, viajaram diretamente da era Cret&#225;cea para os dias de hoje. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">Homens s&atilde;o, usualmente, ing&ecirc;nuos. Mulheres s&atilde;o, maioria esmagadora, diab&oacute;licas, perspicazes, lobas ferozes em pele de cordeiro, lingerie com rendas, unhas pintadas e perfumes franceses.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&nbsp;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">Homens agem, sem qualquer tra&ccedil;o de maldade, de maneira rude, como se suas idades somente pudessem ser estabelecidas por Carbono 14. Selvagens, viajaram diretamente da era Cret&aacute;cea para os dias de hoje. Fico surpreso que os esp&eacute;cimes atuais n&atilde;o tenham cascos ou alimentem-se de arbustos soltos por terrenos baldios, porque as maneiras destes s&atilde;o exatamente iguais &agrave;quelas dos habitantes das cavernas.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&nbsp;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">Mulheres, ao contr&aacute;rio, evolu&iacute;ram. Dotadas de capacidade &uacute;nica para pensar, planejar em detalhes, executar e, o que mais interessa, contar &agrave;s amigas - todas elas - suas mais novas estrat&eacute;gias de combate aos mentecaptos peludos. &Eacute; uma guerra n&atilde;o declarada. Guerra fria. Calculista.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&nbsp;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">Caro leitor desatento, voc&ecirc; imaginou que aquelas lou&ccedil;as n&atilde;o lavadas, as camisas suadas do futebol de segunda &agrave; noite jogadas no ch&atilde;o do quarto, a pasta de dente esquecida aberta, as unhas do p&eacute; cortadas e deixadas sobre a cama, a cutucada para tirar fiapos de camiseta branca do umbigo, sorrateiramente escondidos sob o sof&aacute;, o futebol na TV &agrave;s quartas quando ela preferia um jantar rom&acirc;ntico, passariam inc&oacute;lumes? N&atilde;o h&aacute; possibilidade alguma.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&nbsp;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">Discretas, s&atilde;o a mais perfeita tradu&ccedil;&atilde;o de crime realmente organizado. Se nossas autoridades acham o tr&aacute;fico de entorpecentes dif&iacute;cil de combater, dada a complexidade de suas teias de poder, &eacute; porque nunca voltaram suas aten&ccedil;&otilde;es a essa quadrilha mundialmente esquadrinhada e silenciosa. Agem dentro dos nossos lares, no banco do passageiro dos nossos carros, repousam ao nosso lado, brindam com nosso vinho, usam nossas camisetas para dormir e, n&atilde;o satisfeitas, ainda s&atilde;o presenteadas com j&oacute;ias e carros do ano.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&nbsp;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">S&aacute;bias. Deixam transparecer que suas armas fatais s&atilde;o a sensualidade, o sexo fr&aacute;gil, um vestido curto, uma lingerie nova, uma massagem nos p&eacute;s com creme sei-l&aacute;-o-que, um parmeggiana ao ponto com molho extra. Quando, incontestavelmente &ndash; e achavam que nenhum homem entenderia isso &ndash; utilizam-se de uma arma muito mais poderosa, mais perversa e infal&iacute;vel: a lista do mercado.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&nbsp;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">Entendo. Parece uma afirma&ccedil;&atilde;o completamente sem sentido, desprovida da mobiliza&ccedil;&atilde;o de sequer dois pares de neur&ocirc;nio. &Eacute; exatamente isso que a torna t&atilde;o perfeita. Ningu&eacute;m jamais ousou pensar que uma reles lista pudesse ser, na verdade, uma arma capaz de nos levar &agrave; beira de um ataque de nervos &ndash; s&oacute; n&atilde;o os temos porque, afinal, somos homens e, sendo assim, n&atilde;o sabemos o que &eacute; ataque, muito menos de nervos (a n&atilde;o ser que o centroavante perna-de-pau perca aquele gol-feito na final do campeonato).</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&nbsp;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">A ingenuidade masculina n&atilde;o tem limites. Tudo come&ccedil;a com a maldita consci&ecirc;ncia pesada. Num domingo qualquer, enquanto a esposa limpa os arm&aacute;rios, cuida das crian&ccedil;as, faz e serve almo&ccedil;o, voc&ecirc;, absorto em seu pr&oacute;prio mundo, cutuca as ranhuras do calcanhar, deitado sem camisa no sof&aacute;, assistindo a um programa de esportes qualquer. Quando se d&aacute; conta da mancada, prontifica-se a &ldquo;fazer o mercado&rdquo;. E, esperto, para que nada saia errado pede gentilmente que a patroa escreva tudo o que ela quer num papel. </span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&nbsp;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">Est&aacute; aberta a temporada de ca&ccedil;a. </span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&nbsp;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">Com a lista em m&atilde;os, chega ao mercado e l&ecirc; &ldquo;carne para molho&rdquo;. F&aacute;cil. Dirige-se &agrave; g&ocirc;ndola de resfriados e v&ecirc;-se diante de uma eternidade de nomes, tipos, cortes, cores diferentes. Tenho certeza de que nunca imaginou que um boi pudesse ser dividido em tantos peda&ccedil;os. Como todo homem, voc&ecirc; n&atilde;o sabe qual a melhor carne para molho, ent&atilde;o decide ir pelo pre&ccedil;o, j&aacute; que sua esposa foi fiscal do Sarney e estagi&aacute;ria da Sunab. Pre&ccedil;o importa deveras. Leva o cox&atilde;o duro, junto com sua senten&ccedil;a de morte. Cox&atilde;o duro n&atilde;o &eacute; carne. &Eacute; quase sola de sapato, sua besta!</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&nbsp;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">Retoma a lista: iogurte. Outro corredor, um mundo de iogurtes integrais, desnatados, semi-desnatados, com frutas, com mel, com frutas E mel, com fibras, sem gordura, em litro, em pote. Em seus pensamentos, ouve-se um &ldquo;putaqueopariu&rdquo;. Checa a lista de novo. Somente &ldquo;iogurte&rdquo;. Sem descri&ccedil;&otilde;es complementares. Gentil, toma o telefone e liga para casa. Voc&ecirc; n&atilde;o &eacute; burro e quer agradar, certo? Errado. A resposta dela j&aacute; est&aacute; pronta antes mesmo de voc&ecirc; ter nascido:</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&nbsp;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&ldquo;Ah, traz qualquer um, amor! Confio no seu bom gosto&rdquo;. </span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&nbsp;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">Pronto, o poder de decis&atilde;o est&aacute; em suas m&atilde;os. Tolo.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&nbsp;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">Item 3: &ldquo;leite em p&oacute; para as crian&ccedil;as&rdquo;. Corredor de Cereais, farin&aacute;ceos e enlatados. Voc&ecirc; conhece a distribui&ccedil;&atilde;o dos produtos de cabe&ccedil;a. Sabe que os meninos tomam o leite da marca X, mas&#8230; n&atilde;o tem. O que faz? Utiliza o seu previamente elogiado &quot;bom gosto&quot; para escolher iogurte e decide levar o leite em p&oacute; da marca Y. Pronto, despe&ccedil;a-se da sua cabe&ccedil;a. Ela ser&aacute; separada do seu pesco&ccedil;o num golpe r&aacute;pido. Eis o que o espera quando chegar em casa:</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&nbsp;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&ldquo;Leite Y? Esse leite &eacute; um horror, Lacerda!&rdquo;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&ldquo;Mas, amorzinho! N&atilde;o tinha outro. Usei o meu bom gosto e&#8230;&rdquo;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&ldquo;Que bom gosto, mentecapto? &Eacute; para comprar o que est&aacute; NA LISTA. &Eacute; pedir muito?&rdquo;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&ldquo;Mas&#8230;&rdquo;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&ldquo;N&atilde;o estou mais ouvindo. Chega. Bem que minha m&atilde;e dizia que voc&ecirc; era um zero &agrave; esquerda&#8230;&rdquo;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&ldquo;Mas&#8230;&rdquo;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&nbsp;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">Eu avisei. Voc&ecirc; n&atilde;o quis acreditar. Diga se essa cena dom&eacute;stica n&atilde;o lhe &eacute; familiar? Coloque uma coisa na sua cabe&ccedil;a: todas as poss&iacute;veis rea&ccedil;&otilde;es v&ecirc;m sendo estudadas h&aacute; anos. Se voc&ecirc; disser A, ela tem uma resposta. Se voc&ecirc; disser B, ela tem outra resposta. Se voc&ecirc; n&atilde;o disser nada, ela tem duas respostas e, de quebra, um cr&oacute;que na sua cabe&ccedil;a.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&nbsp;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">Outro ponto: existem mulheres que atuam como formigas-oper&aacute;rias. S&atilde;o a linha de frente, passam o dia inteiro no mercado, s&oacute; para azucrinar e passar informa&ccedil;&otilde;es. Voc&ecirc; as reconhecer&aacute; facilmente, porque levam tr&ecirc;s filhos daqueles bem chatos &agrave; tiracolo, circulam sem organiza&ccedil;&atilde;o alguma e est&atilde;o sempre ao celular. Falando de voc&ecirc; para sua esposa, enquanto os filhos brigam ao seu lado para tirar sua aten&ccedil;&atilde;o. Experimente ir &agrave;s 10 horas da manh&atilde;, identifique uma legi&atilde;o dessas e volte por volta das 19. Surpresa! A tropa estar&aacute; l&aacute;. </span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&nbsp;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&Eacute; duro, &eacute; banal, mas &eacute; verdade. Voc&ecirc; tem sido enganado por todos esses anos. Os mercados s&atilde;o dominados pelas mulheres. Quantos operadores de caixa voc&ecirc; conhece? E operadoras? &Eacute; um campo de batalha varejista. Repare que a sua lista jamais ter&aacute; itens que estejam expostos na frente do mercado. Sempre estar&atilde;o no fundo, para que voc&ecirc; se torne alvo e n&atilde;o tenha rota de fuga f&aacute;cil. Elas querem que voc&ecirc; sofra. Elas querem enlouquecer voc&ecirc;. </span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&nbsp;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">Mas isso n&atilde;o vai ficar assim. Como o respons&aacute;vel por desmascarar essa aut&ecirc;ntica tropa de elite, trabalhei por anos em um meticuloso &ndash; e talvez a nossa &uacute;nica salva&ccedil;&atilde;o &ndash; plano de contra-ataque. O sucesso desse projeto depende muito do empenho de todos os homens (homens!) do mundo. </span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&nbsp;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">Os 5 Dis: </span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&nbsp;</span></span></span></p>
<ol style="margin-top: 0pt" type="1">
<li class="MsoNormal"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">DISseminar: espalhe esta not&iacute;cia bomb&aacute;stica para tantos homens quanto conhecer. S&oacute; homens (cuidado, muito cuidado na sele&ccedil;&atilde;o&#8230; hoje em dia est&aacute; f&aacute;cil demais incluir por engano um traidor, um vira-casaca-de-pele, entre n&oacute;s.). </span></span></span></li>
<li class="MsoNormal"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">DISsuadir: n&atilde;o ouse contar &agrave; sua esposa tudo o que &ndash; agora &ndash; sabe. Ela far&aacute; cara de desentendida e dir&aacute; que voc&ecirc;, para variar, est&aacute; b&ecirc;bado e louco.</span></span></span></li>
<li class="MsoNormal"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">DISsimular: esconda a raiva, por mais dif&iacute;cil que seja. Lembre-se, ela &eacute; diab&oacute;lica. Ou suas cuecas correm s&eacute;rios riscos.</span></span></span></li>
<li class="MsoNormal"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">DIStorcer: altere j&aacute; o formato da lista. Crie colunas adicionais, com tr&ecirc;s op&ccedil;&otilde;es de marcas alternativas e pre&ccedil;os m&aacute;ximos por unidade. Insira uma nota informando que &ldquo;caso nenhum produto se encaixe naquele perfil, ser&aacute; imediatamente invalidado, seguindo para o pr&oacute;ximo item da lista&rdquo;.</span></span></span></li>
<li class="MsoNormal"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">DISciplinar: tenha a mais completa disciplina para atingir os objetivos. &ldquo;Juntos, chegaremos l&aacute;&rdquo;, j&aacute; dizia um dos nossos. </span></span></span></li>
</ol>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&nbsp;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">E, pelo amor de (qualquer) Deus (em que voc&ecirc; acredite), jamais diga &agrave; minha esposa que fui eu quem descobriu, espalhou e bolou tudo isso. </span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&nbsp;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">Sou corajoso, mas n&atilde;o sou burro! E me d&ecirc; licen&ccedil;a, porque acabo de entrar no mercado&#8230;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: small"><span style="font-family: Tahoma"><span lang="PT-BR">&nbsp;</span></span></span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Pirulitos e a vida.</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Dec 2008 12:58:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>chobiel</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[&#160;

&#160;
Era um dia comum. Apenas mais um, entre tantos outros, tantos iguais. Sol quente, pessoas circulando &#224;s pressas, atentas apenas aos seus afazeres, desatentas aos semelhantes. Ningu&#233;m se importa com os outros, s&#227;o somente outros. Que sigam seus caminhos. E n&#227;o atrapalhem o meu. &#201; o que pensam, &#233; como agem. 
Vejo um senhor caminhando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p><img alt="" src="http://mickeyamaral.blog.terra.com.br/files/2008/12/lollipops-450.jpg" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Era um dia comum. Apenas mais um, entre tantos outros, tantos iguais. <br />Sol quente, pessoas circulando &agrave;s pressas, atentas apenas aos seus afazeres, desatentas aos semelhantes. <br />Ningu&eacute;m se importa com os outros, s&atilde;o somente outros. Que sigam seus caminhos. E n&atilde;o atrapalhem o meu. &Eacute; o que pensam, &eacute; como agem. </p>
<p>Vejo um senhor caminhando pela rua. Rosto simp&aacute;tico, olhos e pele claras, bochechas rosadas. Cabelos brancos como neve, barba rala e tamb&eacute;m alva. Cal&ccedil;as largas, sapatos e cintos pretos, camisa s&oacute;bria. Leva um discreto par de &oacute;culos pendurados por uma fina corrente ao pesco&ccedil;o. Caminha tranquilamente, cumprimentando a todos. Distribui pirulitos &agrave;s crian&ccedil;as, sorrisos aos adultos. Sorrisos contagiantes, diga-se. </p>
<p>Figura que se diferencia da multid&atilde;o. Figura que chama a aten&ccedil;&atilde;o. P&aacute;ro por alguns instantes para observar. O mundo que espere. Algo inusitado est&aacute; acontecendo. </p>
<p>Ele continua sua caminhada. Com a mesma tranquilidade. Sempre. </p>
<p>Chega at&eacute; mim. Coloca os &oacute;culos, cruza os olhos com os meus. Olhos azuis que irradiam paz. Estende-me a m&atilde;o. Cumprimenta-me. <br />Retribuo, calado. Sem palavras, na verdade. Apenas admiro, sem rea&ccedil;&atilde;o. <br />Busca na sacola um pirulito, volta a olhar-me nos olhos e diz: </p>
<p>- Tome, meu filho. &Eacute; seu. Voc&ecirc; s&oacute; queria parar por alguns instantes, n&atilde;o era isso? Queria pensar na vida. Agradecer a quem o ajudou. Pedir perd&atilde;o a quem feriu. Doar-se mesmo que por breves momentos a quem precisa. Acertar alguns rumos. Eis aqui o seu tempo. E, de quebra, tem sabor de framboesa! </p>
<p>Os pensamentos se misturaram. A confus&atilde;o tomou conta. A &uacute;nica pergunta que consegui fazer: </p>
<p>- Papai Noel? </p>
<p>Seguiu-se um leve sorriso, seus olhos agora mais brilhantes. Sua m&atilde;o agora em meu rosto, morna, terna. E a resposta: </p>
<p>- Basta acreditar, filho. Basta acreditar&#8230;. </p>
<p>E seguiu seu caminho. </p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p>(Feliz Natal a todos!)</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Algo que seja eterno</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 21:14:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>chobiel</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Era como se um vazio invadisse o momento. Um misto de inc&#244;modo e sil&#234;ncio. Horas haviam se passado desde que aquela palavra come&#231;ou a ecoar entre meus pensamentos: ETERNO. A todo custo, buscava encontrar algo que traduzisse, de forma definitiva, aquela palavra. F&#225;cil? Veremos. 
As op&#231;&#245;es eram muitas, v&#225;rios objetos &#224; minha volta&#8230; nada ETERNO. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Era como se um vazio invadisse o momento. Um misto de inc&ocirc;modo e sil&ecirc;ncio. Horas haviam se passado desde que aquela palavra come&ccedil;ou a ecoar entre meus pensamentos: ETERNO. A todo custo, buscava encontrar algo que traduzisse, de forma definitiva, aquela palavra. F&aacute;cil? Veremos. </p>
<p>As op&ccedil;&otilde;es eram muitas, v&aacute;rios objetos &agrave; minha volta&#8230; nada ETERNO. </p>
<p>O vazio l&aacute;, aumentando, como aumentava a minha vontade de resolver aquela quest&atilde;o de uma vez por todas. </p>
<p>Resolvi agir. Ou reagir. Passei a procurar, no meio das minhas coisas, a tal tradu&ccedil;&atilde;o definitiva. </p>
<p>Comecei pelo meu ba&uacute; de brinquedos antigos. <br />Soldados, bonecos, forte-apache, carrinhos de ferro. <br />Autorama, gibis antigos com as p&aacute;ginas j&aacute; amareladas. <br />Velhos boletins dos primeiros anos de escola. <br />O primeiro modelo de v&iacute;deo-game &ndash; nem ligava mais. <br />E seus joysticks j&aacute; devorados pelo cachorro. <br />NADA. </p>
<p>Virei para o arm&aacute;rio. <br />Eram camisas, cal&ccedil;as, sapatos, t&ecirc;nis. <br />At&eacute; aquela velha camiseta, j&aacute; rasgada de tanto usar. <br />Um moletom surrado &ndash; e delicioso &ndash; que uso para dormir, <br />naquelas noites em que nem a manta d&aacute; conta do frio. <br />E outras tantas roupas que h&aacute; muito n&atilde;o uso. <br />(e as quais doarei na pr&oacute;xima Campanha do Agasalho&#8230;) <br />NADA. </p>
<p>Apelei. <br />Liguei o computador. <br />Entre tantos programas, aqueles &uacute;ltimos lan&ccedil;amentos. <br />At&eacute; mesmo nas ferramentas de ajuda. <br />Deveria encontrar algo. <br />Quem sabe na tal da internet? <br />NADA. Nem em configura&ccedil;&otilde;es, nem em painel de controle. </p>
<p>Ops! Na casinha do cachorro. &Eacute; isso. Como deixei passar? <br />Tomei algumas lambidas &ndash; claro! <br />Mas precisava ser r&aacute;pido. <br />Atirei a bolinha para me livrar dele. <br />Revirei a casinha. Na &aacute;gua, no meio da ra&ccedil;&atilde;o. <br />NADA. Ser&aacute; que o danado havia devorado esse tal de ETERNO tamb&eacute;m? </p>
<p>Fui para a cozinha. Despensa aberta, olhos de lince. <br />&Eacute; um. &Eacute; dois. &Eacute; tr&ecirc;s. Atacar! <br />Lata de achocolatado para um lado, pacote de biscoitos para o outro. <br />Meus prediletos, ali&aacute;s. <br />Duas ou tr&ecirc;s latas de leite condensado &ndash; Hummm, leite condensado! <br />Empilhei alguns pacotes de macarr&atilde;o. <br />NADA. </p>
<p>N&atilde;o disse que n&atilde;o ia ser f&aacute;cil? <br />Quase imposs&iacute;vel. <br />Mesmo assim, n&atilde;o desisti. <br />Tinha que encontrar em algum lugar algo que fosse realmente ETERNO. </p>
<p>Fui para sala. Gaveta de DVDs e CDs. <br />Entre tantos t&iacute;tulos diferentes, ao menos um, iria me ajudar. <br />E foi um tal de filmes para l&aacute;, shows para c&aacute;, games espalhados no sof&aacute;. <br />Pelo menos encontrei aquele velho walk-man, com uma fita K-7 dentro. <br />H&aacute; anos que nem me lembrava mais dele. <br />NADA. </p>
<p>Passei a achar que ETERNO n&atilde;o existia. <br />Era inven&ccedil;&atilde;o de gente maluca. <br />J&aacute; havia procurado em todos os lugares. <br />Todos os cantos poss&iacute;veis. <br />N&atilde;o existia. <br />Definitivamente. </p>
<p>Exausto, joguei meu corpo no sof&aacute;. <br />Coloquei os fones do walk-man e, sem pretens&atilde;o alguma, <br />Apertei o &ldquo;play&rdquo;. <br />Sensacional! Uma fita com m&uacute;sicas que havia gravado, <br />para uma menina da 6a. s&eacute;rie que paquerei por anos a fio. <br />Para come&ccedil;ar a viajar do sof&aacute; de volta &agrave; minha inf&acirc;ncia, <br />foi um piscar de olhos. </p>
<p>Aquelas manh&atilde;s frias em que a mam&atilde;e me acordava para eu ir para a escola. <br />E eu debaixo do cobertor, quentinho, pedia: &ldquo;Mais cinco minutos, pu fav&ocirc;!&rdquo; &ndash; ela deixava. <br />O caf&eacute; quente, mesa posta, uniforme pronto e passado. <br />Um beijo de &ldquo;boa aula&rdquo;. <br />At&eacute; o pux&atilde;o de orelha pela nota vermelha em Geografia. <br />(mas por que eu tinha que saber algo sobre os Montes Urais?) <br />As festinhas de Dia das M&atilde;es e Dia dos Pais&#8230; <br />Eu me fantasiava e ensaiava para muito para fazer bonito. <br />At&eacute; que me sa&iacute;a bem (mas ficava com uma vergonha danada!) <br />Aquele cafun&eacute; quando a gripe brava me pegava&#8230; <br />Com ch&aacute; quente e bolachas. E a bronca no dia seguinte por andar descal&ccedil;o no ch&atilde;o frio! <br />Aquele beijo tarde da noite, quando meu pai chegava exausto do trabalho. <br />E eu fingia que estava dormindo &ndash; mas n&atilde;o estava, n&atilde;o! Confesso. <br />Aquele abra&ccedil;o gostoso quando me formei na 8&ordf;. s&eacute;rie. <br />Abra&ccedil;o que consigo sentir ainda, at&eacute; hoje. &Eacute; s&oacute; fechar meus olhos&#8230; <br />O presente surpresa no Natal. <br />Meu prato predileto num almo&ccedil;o de domingo. <br />Um sopro delicado no Mertiolate ardido borrifado no ralado do joelho. <br />A risada contida quando tirei aquele bigodinho rid&iacute;culo pela primeira vez. <br />A torcida declarada na &eacute;poca de vestibular. <br />E a festa divertida por eu ter passado. </p>
<p>Espere um pouco. <br />Que estranho&#8230; come&ccedil;o a achar que encontrei algo ETERNO! </p>
<p>Por que hoje, pensando bem, somos n&oacute;s que fazemos tudo que nossos pais um dia fizeram. <br />Mas por nossos filhos. <br />Eles que, certamente, um dia far&atilde;o por nossos netos. <br />E que far&atilde;o pelos nossos bisnetos&#8230; </p>
<p>ENCONTREI! </p>
<p>Era t&atilde;o simples! Estava t&atilde;o na cara. </p>
<p>ETERNO &eacute; o amor que os pais sentem pelos filhos. <br />ETERNO &eacute; o carinho que dedicamos aos nossos pimpolhos. <br />ETERNA &eacute; a aten&ccedil;&atilde;o que nos d&atilde;o mesmo quando n&atilde;o precisamos (ou achamos que n&atilde;o) <br />ETERNA &eacute; a amizade deles que temos t&atilde;o perto de n&oacute;s, e para sempre. <br />ETERNA &eacute; a gratid&atilde;o que n&oacute;s, filhos, hoje temos a oportunidade de demonstrar. </p>
<p>ETERNO &eacute; o NOSSO amor por voc&ecirc;s, nossos pais, nossas m&atilde;es, nossos verdadeiros amigos! <br />ETERNO &eacute; o nosso sincero MUITO, MAS MUITO OBRIGADO POR TUDO! De cora&ccedil;&atilde;o. </p>
<p>Dos seus ETERNOS filhos, netos, bisnetos&#8230;.. <br />(p.s.: Algu&eacute;m a&iacute; pode me dizer o que s&atilde;o os tais Montes Urais ? N&atilde;o sei at&eacute; hoje&#8230;) </p>
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		<title>Meus particulares campeonatos-relâmpago</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Nov 2008 14:32:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>chobiel</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160;
Eles chegam sem avisar. Supreendem-me e, quando dou por mim, estou no meio de uma competi&#231;&#227;o maluca, sem pr&#234;mios, trof&#233;us ou medalhas. Apenas o sentimento de miss&#227;o cumprida ou o desgosto por n&#227;o ter conseguido atingir o objetivo. 
Sim, falo dos meus pr&#243;prios campeonatos-rel&#226;mpago (e, nesse momento, arrisco-me a ser chamado de louco, insano, doidivanas, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>Eles chegam sem avisar. Supreendem-me e, quando dou por mim, estou no meio de uma competi&ccedil;&atilde;o maluca, sem pr&ecirc;mios, trof&eacute;us ou medalhas. Apenas o sentimento de miss&atilde;o cumprida ou o desgosto por n&atilde;o ter conseguido atingir o objetivo. </p>
<p>Sim, falo dos meus pr&oacute;prios campeonatos-rel&acirc;mpago (e, nesse momento, arrisco-me a ser chamado de louco, insano, doidivanas, mas e da&iacute;?). </p>
<p>Dirigo meu carro por uma via qualquer. Estou tranquilo, nada acontece. Assobio a m&uacute;sica do r&aacute;dio. Batuco no volante. Ou&ccedil;o at&eacute; os passarinhos cantando pela redondeza. Quando avisto, logo &agrave; frente, um farol aberto. &Eacute; o gatilho para a competi&ccedil;&atilde;o. Penso comigo: &#8216;preciso passar pelo farol antes que ele mude para amarelo, sem acelerar ou brecar&#8217;. Prendo a respira&ccedil;&atilde;o. Os p&aacute;ssaros, agora, s&atilde;o completamente ignorados. Um titio desavisado aproveita a chance para atravessar a rua. Eu resmungo: &#8217;sai, titio, sai&#8230; SSAAAAIII&#8217;. Nos instantes finais, um pedido: &#8216;n&atilde;o muda agora, n&atilde;o muda&#8230; por favor&#8230; est&aacute; quase&#8217;. E a realiza&ccedil;&atilde;o: &#8216;Passei! He he he! Urr&uacute;&uacute;&uacute;&#8217;. </p>
<p>E volto a batucar placidamente no volante, satisfeito por ter conquistado praticamente um &iacute;ndice ol&iacute;mpico. Como se nada tivesse acontecido. </p>
<p>Esses campeonatinhos se estendem a todas as categorias poss&iacute;veis. No metr&ocirc;, por exemplo. Passo pela catraca e ou&ccedil;o um trem se aproximando. Logo penso: &#8216;descer as escadas e entrar no &uacute;ltimo vag&atilde;o, sem correr&#8217;. E apresso o passo. Quase uma marcha atl&eacute;tica. Mas sem correr. O trem chega &agrave; esta&ccedil;&atilde;o. Uma enfermeira lendo mais um par&aacute;grafo de Julia - aqueles livretos comprados em banca de jornal - caminha vagarosamente, sem imaginar que um maluco tem uma tarefa &aacute;rdua a cumprir. O cora&ccedil;&atilde;o palpita. Desvio da mo&ccedil;a vestida de branco dos p&eacute;s &agrave; cabe&ccedil;a. O trem p&aacute;ra. Alcan&ccedil;o a escadaria e des&ccedil;o de dois em dois degraus. As portas abrem. Agora &eacute; a parte mais dif&iacute;cil, livrar-me dos usu&aacute;rios que v&ecirc;m no contra-fluxo. Tomo a faixa da direita, limpo o suor da testa. Penso: &#8217;segura a peruca&#8230; segura&#8230; estou chegando&quot;. A campainha toca. S&oacute; mais um segundo. Quando as portas esbo&ccedil;am rea&ccedil;&atilde;o e come&ccedil;am a fechar, eis que pulo por entre as duas e, vencedor, olho orgulhoso para os usu&aacute;rios. Um ar trinfante no rosto - mesmo que ningu&eacute;m saiba o que acabou de acontecer. </p>
<p>No supermercado. Fa&ccedil;o minhas compras e vou ao caixa. Pego uma fila qualquer. Olho para as filas ao lado e, em segredo, elejo um advers&aacute;rio. Como regra, esse oponente tem que ter o mesmo n&uacute;mero de pessoas que eu &agrave; frente. Ganha quem conseguir passar pelo caixa, pagar, colocar as compras empacotadas no carrinho e sair em dire&ccedil;&atilde;o ao estacionamento. N&atilde;o existe um advers&aacute;rio espec&iacute;fico. Pode ser uma mo&ccedil;a com roupa de academia, o carrinho recheado de produtos diet, light, frutas, saladas, granola e &aacute;gua de c&ocirc;co. Pode ser um senhor gorducho com cervejas, carnes, sal grosso e carv&atilde;o. Ou uma senhora lutando para manter as duas crian&ccedil;as quietas enquanto equilibra os trinta e dois produtos de limpeza diferentes na esteira do caixa. Normalmente, essa competi&ccedil;&atilde;o eu perco. Sempre escolho uma fila na qual o casal &agrave; minha frente insiste em passar dois ou tr&ecirc;s cart&otilde;es de d&eacute;bito e, ainda, pagar a diferen&ccedil;a em dinheiro. </p>
<p>No futebol. Recebo a bola na &aacute;rea, ainda no campo de defesa. Sem que nenhum jogador do meu time, ao menos, imagine o que est&aacute; para acontecer, viro-me para o ataque, um campo inteiro &agrave; minha frente. Respiro fundo e penso: &quot;driblar todos os jogadores e chegar at&eacute; a outra &aacute;rea&quot;. S&oacute; l&aacute; poderei tocar para algum companheiro. E parto. Esse &eacute; mais um exemplo de competi&ccedil;&atilde;o perdida logo na largada, dada a minha - digamos - restrita habilidade com a bola nos p&eacute;s. Isso quando n&atilde;o h&aacute; um agravante: perco a bola j&aacute; para o primeiro oponente, que limpa a jogada e marca o tento. Al&eacute;m de perder o meu campeonatinho, sou indicado - &agrave; for&ccedil;a - para ir para o gol. </p>
<p>&Eacute;. Relendo este texto, acho que sou meio maluco mesmo. Pelo menos, garanto, &eacute; divers&atilde;o na certa, ajuda a passar o tempo (principalmente no tr&acirc;nsito ca&oacute;tico das grandes cidades), n&atilde;o tem contra-indica&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o solta as tiras, n&atilde;o prejudica ningu&eacute;m e - o melhor - voc&ecirc; escolhe competidores, modalidades e regras. Essa &uacute;ltima, pondendo ainda ser alterada DURANTE o campeonato, sem que tenha que levar o assunto ao STJD. </p>
<p>Abra&ccedil;os.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>Das coisas que eu não entendo</title>
		<link>http://mickeyamaral.blog.terra.com.br/2008/10/31/das-coisas-que-eu-nao-entendo/</link>
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		<pubDate>Fri, 31 Oct 2008 13:02:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>chobiel</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160;
Imagine um quintal retangular. 
Imagine, agora, que essa mesma &#225;rea conta com uma, apenas uma, n&#227;o mais do que uma solit&#225;ria sa&#237;da d&#8217;&#225;gua, num dos cantos. 
No vai da valsa, essa tal sa&#237;da d&#8217;&#225;gua acaba por acomodar um despretensioso e singelo ralo. 
Voc&#234; solicita &#224; uma dupla de profissionais - um arquiteto e outro engenheiro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>Imagine um quintal retangular. </p>
<p>Imagine, agora, que essa mesma &aacute;rea conta com uma, apenas uma, n&atilde;o mais do que uma solit&aacute;ria sa&iacute;da d&#8217;&aacute;gua, num dos cantos. </p>
<p>No vai da valsa, essa tal sa&iacute;da d&#8217;&aacute;gua acaba por acomodar um despretensioso e singelo ralo. </p>
<p>Voc&ecirc; solicita &agrave; uma dupla de profissionais - um arquiteto e outro engenheiro - que retirem o piso antigo e instalem, no lugar, um piso novinho em folha. </p>
<p>Tarefa dific&iacute;lima, os nobres trabalhadores conversam, debatem, medem, fazem contas e decidem por um plano de a&ccedil;&atilde;o. </p>
<p>Chamam o Seu Benedito e pedem que ele fa&ccedil;a o trabalho. M&atilde;o na massa, literalmente. </p>
<p>Dias depois, voc&ecirc; volta para ver como ficou. Aproveita que est&aacute; s&oacute; e resolve esguichar o excesso de sujeira. </p>
<p>Cara esperto, v&aacute;rios anos de praia, come&ccedil;a a jogar a &aacute;gua pelo canto oposto ao ralo, para que todos os caminhos levem a sujeira por &aacute;gua abaixo. </p>
<p>&Eacute; quando voc&ecirc; se surpreende ao perceber que a tal sa&iacute;da d&#8217;agua tem o poder m&aacute;gico de desafiar as leis da F&iacute;sica, em especial aquela que explica a for&ccedil;a da gravidade. Sim, porque, por algum motivo sobrenatural, segundo o qual mentes com QI menores do que 200 s&atilde;o incapazes de entender, o novo piso fez com que o ralo ficasse no ponto mais alto do quintal. Pior, a &aacute;gua, aquela filha duma quenga banguela, IN-SIS-TE em deslizar para o lado oposto, s&oacute; de sacanagem. </p>
<p>Voc&ecirc;, ent&atilde;o, com a paz interior que Papai do C&eacute;u lhe deu, pede uma confer&ecirc;ncia com o engenheiro e o arquiteto. Despeja um balde de &aacute;gua AO LADO DO RALO e, maldosamente, observa os olhos dos profissionais seguindo o percurso daquele Rio Nilo at&eacute; o outro lado. Ao que se segue a pergunta: &quot;&Eacute; impress&atilde;o minha, ou algo aqui est&aacute; errado?&quot;. Um engole seco, o outro co&ccedil;a a cabe&ccedil;a. </p>
<p>Voc&ecirc; pede uma explica&ccedil;&atilde;o, afinal gostaria de entender a l&oacute;gica do servi&ccedil;o. Eles citam at&eacute; Karl Marx, mas n&atilde;o conseguem convenc&ecirc;-lo. </p>
<p>Conclus&atilde;o: algu&eacute;m a&iacute; poderia me explicar POR QUE RAIOS as ca&iacute;das de &aacute;gua dos pisos NUNCA ficam nos pontos mais baixos?</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Por um radinho de pilha - final</title>
		<link>http://mickeyamaral.blog.terra.com.br/2008/10/17/por-um-radinho-de-pilha-final/</link>
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		<pubDate>Fri, 17 Oct 2008 12:35:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>chobiel</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Sentou-se nos banquinhos de madeira no centro do corredor. Abriu a pochete, puxou o maço, filou um cigarrinho  estava longe de casa e precisava dar um tempo para os miolos  acendeu e, enquanto soltava a primeira baforada, tirou os pés dos 752. Os dedos já estavam latejando. Precisavam de uma esticadinha. Ahhh, que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sentou-se nos banquinhos de madeira no centro do corredor. Abriu a pochete, puxou o maço, filou um cigarrinho  estava longe de casa e precisava dar um tempo para os miolos  acendeu e, enquanto soltava a primeira baforada, tirou os pés dos 752. Os dedos já estavam latejando. Precisavam de uma esticadinha. Ahhh, que sensação boa!. O cara que inventou o sapato certamente não tinha a menor idéia de como era bom tirá-los.</p>
<p>Já estava um pouco cansado e não podia mais demorar. Dona Zuleika não o esperaria para almoçar. Achava absurdo que um velho aposentado se atrasasse para algum compromisso. E almoços eram compromissos. Para ela, mas eram.  Como podia chegar ao ponto de perder uma manhã inteira, faltar ao dominó com os amigos na pracinha, deixar as pombas famintas por não terem recebido lascas de pão amanhecido, para procurar  e não achar  um rádio? Imagina, então, se a vitrola quebrasse e precisasse comprar uma nova?</p>
<p>Tomou novamente o circular Penha-Tietê. Desceu a duas quadras de casa e muito atrasado para o almoço. Já passava da uma e quinze. Dona Zuleika estaria com um bico enorme. Bico de pelicano. Respirou fundo. Resolveu passar na padaria do Seu Manoel para tomar um golinho da marvada e só depois encarar o diabo de bóbes no cabelo.</p>
<p>Pediu dois dedinhos para o copeiro e passou a comentar com o chapeiro a jornada do dia. Contou em detalhes as aventuras. Contou indignado sobre o tal de MP-não-sei-o-quê. Falou sobre o tal Jair e, só depois de o chapeiro explicar, entendeu que o cara trazia contrabando do Paraguai. Sorte dele não ter comprado, senão além de ficar sem almoço, ainda seria capaz de levar umas boas bofetadas. Ia ter que dormir no chão da sala.</p>
<p>O chapeiro, conhecido como Bahia, havia feito um curso por correspondência, daqueles que vinham anunciados nos gibis antigos, e entendia alguma coisa de eletrônica. Seu José não perdeu tempo. Em menos de cinco minutos, foi até em casa, ignorou Dona Zuleika, largou sapato, calça e camisa num canto do quarto, vestiu a bermuda surrada, a sandália de couro marrom e desceu de volta para a padoca. Sentou-se no mesmo banquinho e entregou os pedaços ao chapeiro.</p>
<p>Bahia deu uma boa olhada. Pediu para o Tonhão, outro copeiro, fazer as vezes dele na produção dos sanduíches. Pegou uma faca sem ponta, remontou o aparelho e ligou. Seu José só olhava, perna esquerda chacoalhando nervosamente. Ainda bem que tinha tirado o 752. O dedinho estava quase preto de tão doído. Mas o velho companheiro não havia dado sinal de vida.</p>
<p>Inconformado, Bahia abriu a gaveta e sacou uma lanterna. Usava a dita cuja para encontrar tomates, alfaces e queijo prato quando as chuvas de verão interrompiam o fornecimento de energia. Abriu a tampa, virou-a para baixo e pegou as pilhas. Trocou com as do radinho. Mirou o dedo no botão de ligar, olhou para o Seu José e desferiu:</p>
<p>- Agora é a hora da verdade. Faça figas, Seu Zé.</p>
<p>Ligou. Ouviram o locutor do programa vespertino anunciando a troca da torradeira da Dona Ana, do Cangaíba, pelo aparelho de ginástica abdominal passiva novo, na caixa, do Tavares, morador da Vila Medeiros. Entreolharam-se. Seu José abriu um sorriso agradecido. Estava feliz, com lágrimas nos olhos. Seu amigo havia ressucitado. Passou a acreditar que aquilo era um sinal divino de que o tricolor finalmente voltaria a ganhar o campeonato. Do outro lado do balcão, Bahia dava graças a Deus por ter finalmente utilizado aquele conhecimento do curso de correspondência para alguma coisa.</p>
<p>O problema eram as pilhas. Somente as pilhas. Haviam acabado, já estavam até enferrujadas. Quando caiu no estádio, as peças se soltaram porque o rádio era velho, mas nenhuma delas havia quebrado.</p>
<p>No momento seguinte, sentiu que o urso estava com uma vontade enorme de voltar para casa e fazer a festa a noite toda com a Dona Zuleika.</p>
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		<title>Por um radinho de pilha - Capítulo 5</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Oct 2008 17:27:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>chobiel</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[&#160;
Correu para a loja seguinte. Estava com dor de cabe&#231;a, tamanha a surra de palavras que havia levado. Mudaria a estrat&#233;gia. Haveria de perguntar logo de cara, para o vendedor mais pr&#243;ximo da entrada da outra loja, se tinha aquele &#8211; somente aquele e mais nada agregado &#8211; equipamento. Avistou uma mo&#231;a gordinha, a cal&#231;a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>Correu para a loja seguinte. Estava com dor de cabe&ccedil;a, tamanha a surra de palavras que havia levado. Mudaria a estrat&eacute;gia. Haveria de perguntar logo de cara, para o vendedor mais pr&oacute;ximo da entrada da outra loja, se tinha aquele &ndash; somente aquele e mais nada agregado &ndash; equipamento. Avistou uma mo&ccedil;a gordinha, a cal&ccedil;a do uniforme deveria estar uns dois n&uacute;meros abaixo do manequim dela, camisa branca com o logo da empresa no bolso, cabelo enrolado num c&oacute;que preso por uma caneta Bic sem tampa. </p>
<p>- Bom dia, mo&ccedil;a! A senhora teria, por acaso, r&aacute;dios de pilha para vender? PI-LHA! Sem MP-n&atilde;o-sei-o-que, sem neg&oacute;cio de &ldquo;tern&eacute;cs&rdquo; para baixar m&uacute;sica. Nada disso. S&oacute; um radinho simples. Tem? </p>
<p>- Olha, vov&ocirc; &ndash; retrucou, sem ao menos olhar para o cliente. Pergunte ao rapaz da se&ccedil;&atilde;o de r&aacute;dio, est&aacute; bem? Eu trabalho com lavadoras. N&atilde;o sei se tem ou se n&atilde;o tem o que o senhor precisa. Tamb&eacute;m n&atilde;o fa&ccedil;o quest&atilde;o de saber. Gente mais inconveniente, viu? N&atilde;o se tem sossego num lugar desses, n&atilde;o? </p>
<p>Claro que n&atilde;o havia entendido nada, novamente. S&oacute; fez pedir desculpas e seguir loja adentro. Tudo o que sabia era que precisava procurar algu&eacute;m da se&ccedil;&atilde;o correta, porque a meiga mo&ccedil;a da entrada da loja havia rosnado isso no come&ccedil;o da resposta. Sem op&ccedil;&atilde;o, entrou. Deu uma nova olhada para a porta, para garantir que o Rottweiller de uniforme estava longe. </p>
<p>- Que doida! </p>
<p>Encontrou a tal se&ccedil;&atilde;o e, logo ao lado, atendendo um casal, um rapaz que parecia mais simp&aacute;tico e de bem com a vida. Parou ao lado para ouvir a conversa, disfar&ccedil;ando, como se estivesse analisando outro produto qualquer. O cara respondia aquilo que era perguntado. Nem mais, nem menos. S&oacute; apresentava novas op&ccedil;&otilde;es se os clientes perguntassem. Dava desconto e dividia qualquer equipamento em dez vezes. Era a sorte grande. Esperou at&eacute; que o casal sa&iacute;sse satisfeito com o neg&oacute;cio que haviam acabado de fazer, comprando um sistema de som que s&oacute; na caixa caberia um Fusca de t&atilde;o grande. </p>
<p>Aproximou-se. Estava com medo, dada a experi&ecirc;ncia anterior com o ser raivoso na entrada. Quando percebeu o sorriso na face do rapaz, tomou coragem e perguntou: </p>
<p>- Mo&ccedil;o, veja se pode me ajudar. Meu radinho de pilha quebrou e, agora, preciso comprar um novo. Mas &eacute; s&oacute; radinho mesmo, AM-FM, e de pilha. Para ouvir no est&aacute;dio, sabe? Em dia de jogo. N&atilde;o precisa ter mais nada. S&oacute; r&aacute;dio. O senhor tem? Tem? </p>
<p>- Bom dia, senhor&#8230;? </p>
<p>- Jos&eacute;. </p>
<p>- &Oacute;timo! Seu Jos&eacute;, meu nome &eacute; Carlos. Veja se entendi: o senhor precisa de um r&aacute;dio pequeno, daqueles que a gente coloca no ouvido e escuta os lances, n&atilde;o &eacute;? De prefer&ecirc;ncia, precisa ser pequeno, para caber no bolso da camisa. </p>
<p>- Isso mesmo! Finalmente encontrei algu&eacute;m que sabe do que eu estou falando. </p>
<p>- &Eacute;, Seu Jos&eacute;. Saber eu sei mas, infelizmente, n&atilde;o tem esse aparelho aqui na loja, n&atilde;o. As empresas agora lan&ccedil;am uns equipamentos estranhos, sabe? Cheios de frescura. Tudo digital. Mas se o senhor quiser&#8230;. chega mais&#8230;. </p>
<p>Puxou Seu Jos&eacute; pelo ombro, levando-o vagarosamente para um canto onde n&atilde;o havia outros vendedores. </p>
<p>- &Eacute; o seguinte, Seu Jos&eacute;. Eu tenho um primo que pode arrumar esse aparelho para o senhor. Baratinho. Pe&ccedil;o as op&ccedil;&otilde;es para ele, o senhor escolhe, paga &ndash; tem que ser adiantado e em dinheiro &ndash; e em uma semana, no m&aacute;ximo, o senhor ter&aacute; o seu r&aacute;dio novinho em folha, pronto para ir ao est&aacute;dio. O que acha? </p>
<p>- Seu primo trabalha aqui? </p>
<p>Seguiu-se uma risada alta do vendedor, surpreso com a pergunta. Logo ap&oacute;s, o complemento: </p>
<p>- N&atilde;&atilde;&atilde;ooo, Seu Jos&eacute;. O Jair, meu primo, negocia equipamentos eletr&ocirc;nicos IM-POR-TA-DOS, para pessoas que procuram sempre pelos melhores produtos. Assim com o senhor. Inova&ccedil;&atilde;o. Top de linha. Tudo de primeira. </p>
<p>- Ah, entendi! Ent&atilde;o devo procur&aacute;-lo na se&ccedil;&atilde;o de importados, &eacute; isso? </p>
<p>- O senhor &eacute; realmente engra&ccedil;ado, viu Seu Jos&eacute;? Deixa eu explicar melhor. Eu tenho um primo, entendeu? O Jair. Ele faz viagens ao exterior e, quando algu&eacute;m distinto como o senhor precisa de algum eletr&ocirc;nico, ele compra l&aacute; fora e traz para c&aacute;. A&iacute; a pessoa recebe um aparelho novinho, que nem saiu no Brasil ainda. E mais barato que os eletr&ocirc;nicos dessa loja aqui. S&oacute; vantagem, est&aacute; vendo? </p>
<p>- Mas esse seu primo vai de avi&atilde;o? </p>
<p>- N&atilde;o, n&atilde;o. Ele morre de medo de avi&atilde;o. Ent&atilde;o vai de &ocirc;nibus. &Eacute; mais seguro, sabe? </p>
<p>- Mas de &ocirc;nibus n&atilde;o demora muito? N&atilde;o entendo muito de Geografia, mas os Estados Unidos s&atilde;o longe para caramba. </p>
<p>- E quem disse que precisa ir para os &ldquo;est&ecirc;ites&rdquo; para comprar produto bom, Seu Jos&eacute;? Ele vai aqui no Paraguai mesmo, que &eacute; mais perto e tem muita variedade. Bem mais r&aacute;pido, mais barato. Bate e volta. </p>
<p>- Mas ele d&aacute; nota fiscal? Porque o produto tem garantia, n&atilde;o tem? </p>
<p>- Nota, n&atilde;o, mas garantia tem, Seu Jos&eacute;. A garantia sou eu. Se der problema, &eacute; s&oacute; trazer o r&aacute;dio para mim que levo para o Jair e pe&ccedil;o para ele trocar. Sem demora. Rapidinho. E a&iacute;? Neg&oacute;cio fechado? Posso ligar para ele? </p>
<p>- Sei, n&atilde;o. &Eacute; que a minha senhora &eacute; capaz de ficar brava comigo. Ela &eacute; toda certinha. Conta os centavos. Se eu n&atilde;o levar a nota, vai achar que gastei o dinheiro com alguma outra coisa. Depois, &eacute; um m&ecirc;s inteiro ouvindo bronca. Vou dar mais uma volta, est&aacute; bem? Muito obrigado. </p>
<p>- Sem problemas, seu Jos&eacute;. Leve aqui o meu cart&atilde;o. Se quiser, &eacute; s&oacute; ligar no meu celular. Neg&oacute;cio bom e para poucos, hein? </p>
<p>Ainda n&atilde;o havia entendido direito se o tal de Jair trabalhava naquela loja. Mas sabia que, se comprasse sem nota, estaria frito. Dona Zuleika o assaria junto com as batatas do almo&ccedil;o. E o serviria para a fam&iacute;lia, com molho madeira e uma ma&ccedil;&atilde; na boca. </p>
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		<title>Por um radinho de pilha - Capítulo 4</title>
		<link>http://mickeyamaral.blog.terra.com.br/2008/10/06/por-um-radinho-de-pilha-capitulo-4/</link>
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		<pubDate>Mon, 06 Oct 2008 19:26:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>chobiel</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[&#160;
Voltou a se admirar com as possibilidades de eletr&#244;nicos &#224; disposi&#231;&#227;o. Circulou mais um pouco e, quando j&#225; estava saciado de apreciar as novidades, passou a procurar o que o tinha levado at&#233; l&#225;: o radinho de pilha. Seguiu at&#233; a se&#231;&#227;o correta, procurou, olhou, fez cara de d&#250;vida e, quando pensou em finalmente se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>Voltou a se admirar com as possibilidades de eletr&ocirc;nicos &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o. Circulou mais um pouco e, quando j&aacute; estava saciado de apreciar as novidades, passou a procurar o que o tinha levado at&eacute; l&aacute;: o radinho de pilha. Seguiu at&eacute; a se&ccedil;&atilde;o correta, procurou, olhou, fez cara de d&uacute;vida e, quando pensou em finalmente se render e pedir ajuda para o tal do Orlando, eis que a assombra&ccedil;&atilde;o surgiu do nada e se antecipou: </p>
<p>- Quer uma ajuda? Vi que o senhor franziu a sobrancelha e tenho certeza de que posso ser &uacute;til. Hein? Hum? Ahn? Posso? </p>
<p>- Claro, Armando! &Eacute; que estou procurando um r&aacute;dio para ouvir meu futebol no domingo. E estava pensando num modelo&#8230; </p>
<p>Fora interrompido. </p>
<p>- Pois o senhor veio ao lugar certo! Temos v&aacute;&aacute;&aacute;&aacute;&aacute;rios modelos, com MP3 player, karaok&ecirc;, oito mil watts de pot&ecirc;ncia, som digital surround, duas entradas para v&iacute;deo-game, sub-woofers, twiters e o melhor de tudo: o pre&ccedil;o &agrave; vista em tr&ecirc;s vezes sem juros. </p>
<p>- Eu estava pensando em algo mais simples, um pouco menor. &Eacute; um r&aacute;dio somente para&#8230; </p>
<p>Nova interrup&ccedil;&atilde;o. </p>
<p>- N&atilde;o tem problema. Temos aqui os ultra-micro-systems, com bluetooth, c&acirc;mera integrada, sistema de alarme anti-furto. E esse aqui, em especial, est&aacute; numa super promo&ccedil;&atilde;o. Consigo dividir para o senhor em oito - nem uma, nem duas, nem tr&ecirc;s, mas OI-TO - vezes no cart&atilde;o. &Eacute; pegar ou largar. Posso embrulhar? &Eacute; para presente? Qual cart&atilde;o o senhor utiliza? Cr&eacute;dito ou d&eacute;bito? Vai levar agora ou mando entregar? </p>
<p>- OR-LAN-DO! Eu preciso de um r&aacute;dio de PI-LHA. AM-FM, bot&atilde;o liga-desliga que serve tamb&eacute;m de volume. &Eacute; para levar ao est&aacute;dio, para acompanhar as partidas do meu tricolor. </p>
<p>- Pilha? Mas para que isso, meu senhor? J&aacute; est&atilde;o totalmente ultrapassados, n&atilde;o se usa mais essa velharia. E sinto que o senhor &eacute; um cara antenado, que gosta de tecnologia. Hoje em dia, temos os MP3 players. O senhor baixa as m&uacute;sicas da internet, faz o upload para o aparelho e pode ouvir mais de quinze mil cantigas. N&atilde;o &eacute; o m&aacute;ximo? E tenho no estoque quatro cores diferentes. O senhor pode escolher entre&#8230;. </p>
<p>- Tem r&aacute;dio? </p>
<p>- Azul&#8230;. N&atilde;o. S&oacute; r&aacute;dio, n&atilde;o. Vermelho, verde, ou&#8230;. </p>
<p>- R&aacute;dio de pilha. Tem? </p>
<p>- Amarelo. O senhor n&atilde;o quer levar esse super CD player que tem r&aacute;dio FM? Os esportistas hoje em dia utilizam para correr. Colocam o fone no ouvido, apertam play e s&oacute; param a correria quando o CD acaba. E tem r&aacute;dio. Mas esse aqui eu s&oacute; posso fazer &agrave; vista. </p>
<p>- R&Aacute;-DI-&Ocirc;! S&oacute; r&aacute;dio. De pilha. Tem ou n&atilde;o tem? </p>
<p>- Infelizmente n&atilde;o, senhor. Fico devendo. Quem sabe no pr&oacute;ximo lote, n&atilde;o &eacute;? Essas empresas lan&ccedil;am cada produto maluco que s&oacute; vendo. Teve aquela vez&#8230;. </p>
<p>- Obrigado. Muito gentil. Passar bem. </p>
<p>- Mas e para a esposa? Ela n&atilde;o est&aacute; precisando de uma batedeira nova? </p>
<p>- Adeus!&nbsp;<br />&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Por um radinho de pilha - Capítulo 3</title>
		<link>http://mickeyamaral.blog.terra.com.br/2008/10/01/por-um-radinho-de-pilha-capitulo-3/</link>
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		<pubDate>Wed, 01 Oct 2008 21:59:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>chobiel</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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Saltou do circular Penha-Tiet&#234; na porta do shopping. Mais alguns passos e estaria dentro daquele mundo de lojas, daquele universo do consumismo. Roupas, livros, cal&#231;ados, bolsas, perfume, farm&#225;cia&#8230; 
- Mas cad&#234; a loja que vende r&#225;dio? 
Continuou andando e, depois de passar pela pra&#231;a de alimenta&#231;&#227;o, avistou um balc&#227;o onde uma mo&#231;a bem maquiada gentilmente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>Saltou do circular Penha-Tiet&ecirc; na porta do shopping. Mais alguns passos e estaria dentro daquele mundo de lojas, daquele universo do consumismo. Roupas, livros, cal&ccedil;ados, bolsas, perfume, farm&aacute;cia&#8230; </p>
<p>- Mas cad&ecirc; a loja que vende r&aacute;dio? </p>
<p>Continuou andando e, depois de passar pela pra&ccedil;a de alimenta&ccedil;&atilde;o, avistou um balc&atilde;o onde uma mo&ccedil;a bem maquiada gentilmente sorria para os transeuntes enquanto lixava as unhas. Na frente, uma placa onde lia-se &ldquo;Informa&ccedil;&otilde;es&rdquo;. Meio sem gra&ccedil;a &ndash; odiava o primeiro contato com algu&eacute;m que n&atilde;o conhecia &ndash; aproximou-se e perguntou: </p>
<p>- Mocinha, posso pedir uma informa&ccedil;&atilde;o? </p>
<p>- Claro, senhor. Afinal, este &eacute; um balc&atilde;o de &ldquo;informa&ccedil;&otilde;es&rdquo;, como pode notar pelo que est&aacute; escrito na placa. Em que posso ser &uacute;til? </p>
<p>- He he! &Eacute; verdade&#8230; Desculpe. &Eacute; que meu radinho de pilha quebrou e queria comprar um novo. Andei metade do pr&eacute;dio e n&atilde;o encontrei uma loja sequer que venda r&aacute;dio. A senhorita saberia&#8230; </p>
<p>Fora interrompido por um discurso pronto, certamente desenvolvido por algum assistente p&oacute;s-graduado em Marketing de relacionamento, cidad&atilde;o que fica fechado numa sala com ar condicionado e jamais ouviu esse bl&aacute;bl&aacute;bl&aacute; sendo declamado ao vivo, para saber o qu&atilde;o irritante &eacute;. </p>
<p>- R&aacute;dios e eletr&ocirc;nicos em geral o senhor encontrar&aacute; na se&ccedil;&atilde;o Diamante do nosso shopping, onde as melhores lojas do ramo est&atilde;o &agrave; sua disposi&ccedil;&atilde;o, com promo&ccedil;&otilde;es imperd&iacute;veis. O senhor est&aacute; na se&ccedil;&atilde;o Rubi, que liga a pra&ccedil;a de alimenta&ccedil;&atilde;o &agrave;s lojas de material esportivo. Para ir &agrave; se&ccedil;&atilde;o Diamante, volte tr&ecirc;s corredores, vire &agrave; direita, siga at&eacute; a loja de brinquedos, entre &agrave; esquerda. &Eacute; no final do corredor. Obrigada e o Shopping Pedras Preciosas agradece sua visita. Tenha uma &oacute;tima compra. E n&atilde;o perca os lan&ccedil;amentos do cinema. Na compra de dois ingressos, a pipoca doce &eacute; gr&aacute;tis. </p>
<p>Estava mais confuso agora. Resolveu andar um pouco mais, pela outra metade do pr&eacute;dio. Uma hora haveria de topar com uma loja de eletr&ocirc;nicos. N&atilde;o tinha pressa. Ainda eram dez e pouco e Dona Zuleika n&atilde;o servia o almo&ccedil;o antes da uma. </p>
<p>De repente, logo ali, no final do corredor, encontrou n&atilde;o uma, mas quatro (repito, QUATRO) lojas de eletr&ocirc;nicos. Todas abertas, s&oacute; para ele. Ao entrar na primeira, um dos vendedores logo se aproximou, oferecendo ajuda. Seu Jos&eacute;, educado, respondeu o j&aacute; famoso: </p>
<p>- S&oacute; estou olhando, obrigado! </p>
<p>Continuava seus passos, olhos vidrados nos r&aacute;dios enormes com caixas maiores ainda, etiquetas com v&aacute;rios n&uacute;meros dependuradas nas laterais dos aparelhos. Percebeu que o vendedor o seguia. Dava um passo, o cara tamb&eacute;m. Parava, o cara tamb&eacute;m. Olhava para ele, recebia um sorriso. Encabulado, repetiu: </p>
<p>- Obrigado, mas estou s&oacute; olhando. </p>
<p>- Pois o senhor fique &agrave; vontade. Se precisar de ajuda, qualquer ajuda, meu nome &eacute; Orlando, est&aacute; bem? OR-LAN-DO &ndash; ofereceu-se, repetindo o nome pausadamente, como se Seu Jos&eacute; tivesse algum problema de audi&ccedil;&atilde;o ou cara de bobo para n&atilde;o entender. </p>
<p>E, &oacute;bvio, n&atilde;o poderia perder aquela piada. </p>
<p>- Obrigado, mocinho. Se eu precisar, juro que chamo voc&ecirc;. FER-NAN-DO, n&atilde;o &eacute;? &ndash; Questionou, sorriso maroto no canto da boca. </p>
<p>- OR-LAN-DO! Estarei por perto, OK? Se precisar, j&aacute; sabe: OR-LAN-DO. </p>
<p>&nbsp;</p>
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