Compactos - Mickey Amaral

Os melhores (e piores) contos, crônicas, textos soltos e o que mais pintar…

Das coisas que eu não entendo

31 de outubro de 2008

 

Imagine um quintal retangular.

Imagine, agora, que essa mesma área conta com uma, apenas uma, não mais do que uma solitária saída d’água, num dos cantos.

No vai da valsa, essa tal saída d’água acaba por acomodar um despretensioso e singelo ralo.

Você solicita à uma dupla de profissionais - um arquiteto e outro engenheiro - que retirem o piso antigo e instalem, no lugar, um piso novinho em folha.

Tarefa dificílima, os nobres trabalhadores conversam, debatem, medem, fazem contas e decidem por um plano de ação.

Chamam o Seu Benedito e pedem que ele faça o trabalho. Mão na massa, literalmente.

Dias depois, você volta para ver como ficou. Aproveita que está só e resolve esguichar o excesso de sujeira.

Cara esperto, vários anos de praia, começa a jogar a água pelo canto oposto ao ralo, para que todos os caminhos levem a sujeira por água abaixo.

É quando você se surpreende ao perceber que a tal saída d’agua tem o poder mágico de desafiar as leis da Física, em especial aquela que explica a força da gravidade. Sim, porque, por algum motivo sobrenatural, segundo o qual mentes com QI menores do que 200 são incapazes de entender, o novo piso fez com que o ralo ficasse no ponto mais alto do quintal. Pior, a água, aquela filha duma quenga banguela, IN-SIS-TE em deslizar para o lado oposto, só de sacanagem.

Você, então, com a paz interior que Papai do Céu lhe deu, pede uma conferência com o engenheiro e o arquiteto. Despeja um balde de água AO LADO DO RALO e, maldosamente, observa os olhos dos profissionais seguindo o percurso daquele Rio Nilo até o outro lado. Ao que se segue a pergunta: "É impressão minha, ou algo aqui está errado?". Um engole seco, o outro coça a cabeça.

Você pede uma explicação, afinal gostaria de entender a lógica do serviço. Eles citam até Karl Marx, mas não conseguem convencê-lo.

Conclusão: alguém aí poderia me explicar POR QUE RAIOS as caídas de água dos pisos NUNCA ficam nos pontos mais baixos?

 

Por um radinho de pilha - final

17 de outubro de 2008

Sentou-se nos banquinhos de madeira no centro do corredor. Abriu a pochete, puxou o maço, filou um cigarrinho – estava longe de casa e precisava dar um tempo para os miolos – acendeu e, enquanto soltava a primeira baforada, tirou os pés dos 752. Os dedos já estavam latejando. Precisavam de uma esticadinha. “Ahhh, que sensação boa!”. O cara que inventou o sapato certamente não tinha a menor idéia de como era bom tirá-los.

Já estava um pouco cansado e não podia mais demorar. Dona Zuleika não o esperaria para almoçar. Achava absurdo que um velho aposentado se atrasasse para algum compromisso. E almoços eram compromissos. Para ela, mas eram. Como podia chegar ao ponto de perder uma manhã inteira, faltar ao dominó com os amigos na pracinha, deixar as pombas famintas por não terem recebido lascas de pão amanhecido, para procurar – e não achar – um rádio? Imagina, então, se a vitrola quebrasse e precisasse comprar uma nova?

Tomou novamente o circular Penha-Tietê. Desceu a duas quadras de casa e muito atrasado para o almoço. Já passava da uma e quinze. Dona Zuleika estaria com um bico enorme. Bico de pelicano. Respirou fundo. Resolveu passar na padaria do Seu Manoel para tomar um golinho da “marvada” e só depois encarar o diabo de bóbes no cabelo.

Pediu “dois dedinhos” para o copeiro e passou a comentar com o chapeiro a jornada do dia. Contou em detalhes as aventuras. Contou indignado sobre o tal de MP-não-sei-o-quê. Falou sobre o tal Jair e, só depois de o chapeiro explicar, entendeu que o cara trazia contrabando do Paraguai. Sorte dele não ter comprado, senão além de ficar sem almoço, ainda seria capaz de levar umas boas bofetadas. Ia ter que dormir no chão da sala.

O chapeiro, conhecido como Bahia, havia feito um curso por correspondência, daqueles que vinham anunciados nos gibis antigos, e entendia alguma coisa de eletrônica. Seu José não perdeu tempo. Em menos de cinco minutos, foi até em casa, ignorou Dona Zuleika, largou sapato, calça e camisa num canto do quarto, vestiu a bermuda surrada, a sandália de couro marrom e desceu de volta para a padoca. Sentou-se no mesmo banquinho e entregou os pedaços ao chapeiro.

Bahia deu uma boa olhada. Pediu para o Tonhão, outro copeiro, fazer as vezes dele na produção dos sanduíches. Pegou uma faca sem ponta, remontou o aparelho e ligou. Seu José só olhava, perna esquerda chacoalhando nervosamente. Ainda bem que tinha tirado o 752. O dedinho estava quase preto de tão doído. Mas o velho companheiro não havia dado sinal de vida.

Inconformado, Bahia abriu a gaveta e sacou uma lanterna. Usava a dita cuja para encontrar tomates, alfaces e queijo prato quando as chuvas de verão interrompiam o fornecimento de energia. Abriu a tampa, virou-a para baixo e pegou as pilhas. Trocou com as do radinho. Mirou o dedo no botão de ligar, olhou para o Seu José e desferiu:

- Agora é a hora da verdade. Faça figas, Seu Zé.

Ligou. Ouviram o locutor do programa vespertino anunciando a troca da torradeira da Dona Ana, do Cangaíba, pelo aparelho de ginástica abdominal passiva novo, na caixa, do Tavares, morador da Vila Medeiros. Entreolharam-se. Seu José abriu um sorriso agradecido. Estava feliz, com lágrimas nos olhos. Seu amigo havia ressucitado. Passou a acreditar que aquilo era um sinal divino de que o tricolor finalmente voltaria a ganhar o campeonato. Do outro lado do balcão, Bahia dava graças a Deus por ter finalmente utilizado aquele conhecimento do curso de correspondência para alguma coisa.

O problema eram as pilhas. Somente as pilhas. Haviam acabado, já estavam até enferrujadas. Quando caiu no estádio, as peças se soltaram porque o rádio era velho, mas nenhuma delas havia quebrado.

No momento seguinte, sentiu que o urso estava com uma vontade enorme de voltar para casa e fazer a festa a noite toda com a Dona Zuleika.

Por um radinho de pilha - Capítulo 5

9 de outubro de 2008

 

Correu para a loja seguinte. Estava com dor de cabeça, tamanha a surra de palavras que havia levado. Mudaria a estratégia. Haveria de perguntar logo de cara, para o vendedor mais próximo da entrada da outra loja, se tinha aquele – somente aquele e mais nada agregado – equipamento. Avistou uma moça gordinha, a calça do uniforme deveria estar uns dois números abaixo do manequim dela, camisa branca com o logo da empresa no bolso, cabelo enrolado num cóque preso por uma caneta Bic sem tampa.

- Bom dia, moça! A senhora teria, por acaso, rádios de pilha para vender? PI-LHA! Sem MP-não-sei-o-que, sem negócio de “ternécs” para baixar música. Nada disso. Só um radinho simples. Tem?

- Olha, vovô – retrucou, sem ao menos olhar para o cliente. Pergunte ao rapaz da seção de rádio, está bem? Eu trabalho com lavadoras. Não sei se tem ou se não tem o que o senhor precisa. Também não faço questão de saber. Gente mais inconveniente, viu? Não se tem sossego num lugar desses, não?

Claro que não havia entendido nada, novamente. Só fez pedir desculpas e seguir loja adentro. Tudo o que sabia era que precisava procurar alguém da seção correta, porque a meiga moça da entrada da loja havia rosnado isso no começo da resposta. Sem opção, entrou. Deu uma nova olhada para a porta, para garantir que o Rottweiller de uniforme estava longe.

- Que doida!

Encontrou a tal seção e, logo ao lado, atendendo um casal, um rapaz que parecia mais simpático e de bem com a vida. Parou ao lado para ouvir a conversa, disfarçando, como se estivesse analisando outro produto qualquer. O cara respondia aquilo que era perguntado. Nem mais, nem menos. Só apresentava novas opções se os clientes perguntassem. Dava desconto e dividia qualquer equipamento em dez vezes. Era a sorte grande. Esperou até que o casal saísse satisfeito com o negócio que haviam acabado de fazer, comprando um sistema de som que só na caixa caberia um Fusca de tão grande.

Aproximou-se. Estava com medo, dada a experiência anterior com o ser raivoso na entrada. Quando percebeu o sorriso na face do rapaz, tomou coragem e perguntou:

- Moço, veja se pode me ajudar. Meu radinho de pilha quebrou e, agora, preciso comprar um novo. Mas é só radinho mesmo, AM-FM, e de pilha. Para ouvir no estádio, sabe? Em dia de jogo. Não precisa ter mais nada. Só rádio. O senhor tem? Tem?

- Bom dia, senhor…?

- José.

- Ótimo! Seu José, meu nome é Carlos. Veja se entendi: o senhor precisa de um rádio pequeno, daqueles que a gente coloca no ouvido e escuta os lances, não é? De preferência, precisa ser pequeno, para caber no bolso da camisa.

- Isso mesmo! Finalmente encontrei alguém que sabe do que eu estou falando.

- É, Seu José. Saber eu sei mas, infelizmente, não tem esse aparelho aqui na loja, não. As empresas agora lançam uns equipamentos estranhos, sabe? Cheios de frescura. Tudo digital. Mas se o senhor quiser…. chega mais….

Puxou Seu José pelo ombro, levando-o vagarosamente para um canto onde não havia outros vendedores.

- É o seguinte, Seu José. Eu tenho um primo que pode arrumar esse aparelho para o senhor. Baratinho. Peço as opções para ele, o senhor escolhe, paga – tem que ser adiantado e em dinheiro – e em uma semana, no máximo, o senhor terá o seu rádio novinho em folha, pronto para ir ao estádio. O que acha?

- Seu primo trabalha aqui?

Seguiu-se uma risada alta do vendedor, surpreso com a pergunta. Logo após, o complemento:

- Nãããooo, Seu José. O Jair, meu primo, negocia equipamentos eletrônicos IM-POR-TA-DOS, para pessoas que procuram sempre pelos melhores produtos. Assim com o senhor. Inovação. Top de linha. Tudo de primeira.

- Ah, entendi! Então devo procurá-lo na seção de importados, é isso?

- O senhor é realmente engraçado, viu Seu José? Deixa eu explicar melhor. Eu tenho um primo, entendeu? O Jair. Ele faz viagens ao exterior e, quando alguém distinto como o senhor precisa de algum eletrônico, ele compra lá fora e traz para cá. Aí a pessoa recebe um aparelho novinho, que nem saiu no Brasil ainda. E mais barato que os eletrônicos dessa loja aqui. Só vantagem, está vendo?

- Mas esse seu primo vai de avião?

- Não, não. Ele morre de medo de avião. Então vai de ônibus. É mais seguro, sabe?

- Mas de ônibus não demora muito? Não entendo muito de Geografia, mas os Estados Unidos são longe para caramba.

- E quem disse que precisa ir para os “estêites” para comprar produto bom, Seu José? Ele vai aqui no Paraguai mesmo, que é mais perto e tem muita variedade. Bem mais rápido, mais barato. Bate e volta.

- Mas ele dá nota fiscal? Porque o produto tem garantia, não tem?

- Nota, não, mas garantia tem, Seu José. A garantia sou eu. Se der problema, é só trazer o rádio para mim que levo para o Jair e peço para ele trocar. Sem demora. Rapidinho. E aí? Negócio fechado? Posso ligar para ele?

- Sei, não. É que a minha senhora é capaz de ficar brava comigo. Ela é toda certinha. Conta os centavos. Se eu não levar a nota, vai achar que gastei o dinheiro com alguma outra coisa. Depois, é um mês inteiro ouvindo bronca. Vou dar mais uma volta, está bem? Muito obrigado.

- Sem problemas, seu José. Leve aqui o meu cartão. Se quiser, é só ligar no meu celular. Negócio bom e para poucos, hein?

Ainda não havia entendido direito se o tal de Jair trabalhava naquela loja. Mas sabia que, se comprasse sem nota, estaria frito. Dona Zuleika o assaria junto com as batatas do almoço. E o serviria para a família, com molho madeira e uma maçã na boca.

Por um radinho de pilha - Capítulo 4

6 de outubro de 2008

 

Voltou a se admirar com as possibilidades de eletrônicos à disposição. Circulou mais um pouco e, quando já estava saciado de apreciar as novidades, passou a procurar o que o tinha levado até lá: o radinho de pilha. Seguiu até a seção correta, procurou, olhou, fez cara de dúvida e, quando pensou em finalmente se render e pedir ajuda para o tal do Orlando, eis que a assombração surgiu do nada e se antecipou:

- Quer uma ajuda? Vi que o senhor franziu a sobrancelha e tenho certeza de que posso ser útil. Hein? Hum? Ahn? Posso?

- Claro, Armando! É que estou procurando um rádio para ouvir meu futebol no domingo. E estava pensando num modelo…

Fora interrompido.

- Pois o senhor veio ao lugar certo! Temos vááááários modelos, com MP3 player, karaokê, oito mil watts de potência, som digital surround, duas entradas para vídeo-game, sub-woofers, twiters e o melhor de tudo: o preço à vista em três vezes sem juros.

- Eu estava pensando em algo mais simples, um pouco menor. É um rádio somente para…

Nova interrupção.

- Não tem problema. Temos aqui os ultra-micro-systems, com bluetooth, câmera integrada, sistema de alarme anti-furto. E esse aqui, em especial, está numa super promoção. Consigo dividir para o senhor em oito - nem uma, nem duas, nem três, mas OI-TO - vezes no cartão. É pegar ou largar. Posso embrulhar? É para presente? Qual cartão o senhor utiliza? Crédito ou débito? Vai levar agora ou mando entregar?

- OR-LAN-DO! Eu preciso de um rádio de PI-LHA. AM-FM, botão liga-desliga que serve também de volume. É para levar ao estádio, para acompanhar as partidas do meu tricolor.

- Pilha? Mas para que isso, meu senhor? Já estão totalmente ultrapassados, não se usa mais essa velharia. E sinto que o senhor é um cara antenado, que gosta de tecnologia. Hoje em dia, temos os MP3 players. O senhor baixa as músicas da internet, faz o upload para o aparelho e pode ouvir mais de quinze mil cantigas. Não é o máximo? E tenho no estoque quatro cores diferentes. O senhor pode escolher entre….

- Tem rádio?

- Azul…. Não. Só rádio, não. Vermelho, verde, ou….

- Rádio de pilha. Tem?

- Amarelo. O senhor não quer levar esse super CD player que tem rádio FM? Os esportistas hoje em dia utilizam para correr. Colocam o fone no ouvido, apertam play e só param a correria quando o CD acaba. E tem rádio. Mas esse aqui eu só posso fazer à vista.

- RÁ-DI-Ô! Só rádio. De pilha. Tem ou não tem?

- Infelizmente não, senhor. Fico devendo. Quem sabe no próximo lote, não é? Essas empresas lançam cada produto maluco que só vendo. Teve aquela vez….

- Obrigado. Muito gentil. Passar bem.

- Mas e para a esposa? Ela não está precisando de uma batedeira nova?

- Adeus! 
 

 

Por um radinho de pilha - Capítulo 3

1 de outubro de 2008

 

Saltou do circular Penha-Tietê na porta do shopping. Mais alguns passos e estaria dentro daquele mundo de lojas, daquele universo do consumismo. Roupas, livros, calçados, bolsas, perfume, farmácia…

- Mas cadê a loja que vende rádio?

Continuou andando e, depois de passar pela praça de alimentação, avistou um balcão onde uma moça bem maquiada gentilmente sorria para os transeuntes enquanto lixava as unhas. Na frente, uma placa onde lia-se “Informações”. Meio sem graça – odiava o primeiro contato com alguém que não conhecia – aproximou-se e perguntou:

- Mocinha, posso pedir uma informação?

- Claro, senhor. Afinal, este é um balcão de “informações”, como pode notar pelo que está escrito na placa. Em que posso ser útil?

- He he! É verdade… Desculpe. É que meu radinho de pilha quebrou e queria comprar um novo. Andei metade do prédio e não encontrei uma loja sequer que venda rádio. A senhorita saberia…

Fora interrompido por um discurso pronto, certamente desenvolvido por algum assistente pós-graduado em Marketing de relacionamento, cidadão que fica fechado numa sala com ar condicionado e jamais ouviu esse blábláblá sendo declamado ao vivo, para saber o quão irritante é.

- Rádios e eletrônicos em geral o senhor encontrará na seção Diamante do nosso shopping, onde as melhores lojas do ramo estão à sua disposição, com promoções imperdíveis. O senhor está na seção Rubi, que liga a praça de alimentação às lojas de material esportivo. Para ir à seção Diamante, volte três corredores, vire à direita, siga até a loja de brinquedos, entre à esquerda. É no final do corredor. Obrigada e o Shopping Pedras Preciosas agradece sua visita. Tenha uma ótima compra. E não perca os lançamentos do cinema. Na compra de dois ingressos, a pipoca doce é grátis.

Estava mais confuso agora. Resolveu andar um pouco mais, pela outra metade do prédio. Uma hora haveria de topar com uma loja de eletrônicos. Não tinha pressa. Ainda eram dez e pouco e Dona Zuleika não servia o almoço antes da uma.

De repente, logo ali, no final do corredor, encontrou não uma, mas quatro (repito, QUATRO) lojas de eletrônicos. Todas abertas, só para ele. Ao entrar na primeira, um dos vendedores logo se aproximou, oferecendo ajuda. Seu José, educado, respondeu o já famoso:

- Só estou olhando, obrigado!

Continuava seus passos, olhos vidrados nos rádios enormes com caixas maiores ainda, etiquetas com vários números dependuradas nas laterais dos aparelhos. Percebeu que o vendedor o seguia. Dava um passo, o cara também. Parava, o cara também. Olhava para ele, recebia um sorriso. Encabulado, repetiu:

- Obrigado, mas estou só olhando.

- Pois o senhor fique à vontade. Se precisar de ajuda, qualquer ajuda, meu nome é Orlando, está bem? OR-LAN-DO – ofereceu-se, repetindo o nome pausadamente, como se Seu José tivesse algum problema de audição ou cara de bobo para não entender.

E, óbvio, não poderia perder aquela piada.

- Obrigado, mocinho. Se eu precisar, juro que chamo você. FER-NAN-DO, não é? – Questionou, sorriso maroto no canto da boca.

- OR-LAN-DO! Estarei por perto, OK? Se precisar, já sabe: OR-LAN-DO.

 

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