Compactos - Mickey Amaral

Os melhores (e piores) contos, crônicas, textos soltos e o que mais pintar…

Amor é água. Ciúme é azeite.

21 de agosto de 2008

Lembra daquela aula de Ciências em que a professora pediu para você adicionar azeite numa garrafa com água e tentar, da forma que bem entendesse, misturar os líquidos?
E por mais que tentasse, por mais que chacoalhasse, fosse qualquer a artimanha usada, não havia como misturá-los? É mais ou menos assim que entendo os conceitos de amor e ciúme. Têm a mesma propriedade, são sentimentos, mas jamais podem ser misturados. Jamais.

Amor é água. Ciúme é azeite. Um completo absurdo, uma miopia alguém dizer que ama tanto uma pessoa, mas morre de ciúme dela. Essa conta não fecha. É dizer que 2+2 = 195.

Difícil explicar, mas vou tentar:

Amor começa e se encerra em você. Simples assim. Não depende de ninguém. Amor demanda atenção, dedicação, comprometimento, respeito. Principalmente respeito aos espaços e vontades de cada um. Quando amamos alguém verdadeiramente, deixamos até que esse alguém se vá, contanto que seja feliz… Meio louco, eu sei, mas é real. A felicidade da pessoa que amamos já nos basta. A saudade dela é algo bom, dá um gostoso frio na barriga. Não precisa, necessariamente de presença física. Precisa, sim, ser alimentado, vez em quando, como uma plantinha num vaso. Um olhar basta, um telefonema ajuda, um abraço talvez. Sabe amor de mãe ? Pois é…

Ciúme não. Esse cara é nocivo. É um traiçoeiro, vai jogar somente contra, vai desejar que a relação acabe e ficará rindo da sua cara. É um sujeito desconfiado, manipulador, hipócrita. Deve ter um montão de espinhas no rosto e um bafo horrível. Manquitola. Feio para dedéu. Sombrio. De fazer o Hannibal Lecter parecer a Madre Tereza de Calcutá. Esse mentecapto é quem te faz sofrer, chorar, perder tempo. É ele quem te faz ‘achar’ que a pessoa é sua, que deve tudo o que é exclusivamente a você - o que é uma tolice. E, quando a perde, é esse calhordinha que te faz jurar vingança, desejando que a pessoa suma, seja engolida e derreta no magma terrestre… se não é sua, não será de mais ninguém, não é isso? Tsc tsc…

Amor é água: incolor, inodoro, insípido, porém vital. É puro. Você precisa dele para viver, porque faz um bem danado. Sem ele, tudo fica mais difícil.
Ciúme é como azeite: tempera uma relação, até dá um gostinho, mas se ele não aparecer, a salada continua sendo saudável. Ou seja, precisar MESMO, não precisa. E se exagerar na dose, acaba fazendo mal ao coração (pegou? pegou?).

Pense nisso… e pare de gastar o precioso tempo da sua vida com bobagens como: (1) ficar enfiado no sofá, choramingando; (2) consumindo alucinadamente potes e potes de sorvete (???); (3) tentando moldar um boneco para brincar de vodú, enfiando agulhas e quiçá dando-lhe boas vassouradas; (4) prometendo que, se a pessoa engordar muito, muito mesmo, até explodir, você irá de joelhos até Nossa Senhora da Aparecida… Acredite, nada disso dá certo.

Portanto, abuse da água e evite azeite - garanto que seu coração ficará melhor e mais forte.

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1 Comentário »

  1. Comentário por Joselma Noal — 27 de agosto de 2008 (11:13)

    Belo texto, João Luís! Profundo, inteligente, com um toque irônico e divertido. Parabéns! Um abraço, Joselma

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