Em nome dos pais…
7 de agosto de 2008
Talvez eu tenha meus defeitos como pai.
Certamente tenho. Vários.
Talvez tenha errado em alguns momentos com atitudes inesperadas, por vezes incorretas.
Exageradas - quem sabe?
Talvez em outras tantas tenha acertado, sem saber muito o por quê do acerto.
Puro instinto? Talvez.
Ser pai é um pouco assim. Principalmente quando é o primeiro filho. Erramos muito, eu erro todo dia, num louco processo mútuo de aprendizado.
Homem é bicho besta, acha que sabe tudo, que controla, manda, desmanda, faz e acontece. Até que um nanico resolve aparecer na vida dele. E o tal controle vira de pernas para o ar, da noite para o dia. Peça para o cara enfrentar um Mastim Napolitano feroz só na base da bofetada, vestindo não mais do que uma sunga, mas jamais ouse pedir para que ele dê banho num bebê. Principalmente se você for daquelas esposas sacanas o suficiente para ficar ao lado, olhando e comentando cada gesto. Vai levar o cara à loucura.
Lembro-me bem da primeira vez que minhas habilidades como "pai recente" foram testadas. Na maternidade, eis que a enfermeira estende-me uma fralda novinha, cheirosinha, e pede gentilmente: "troque seu filho". Ao que se seguiu minha (óbvia) resposta: "Trocar? Por que? Eu gosto dele. Não quero outro, nao.". Claro que ela não entendeu a piada - ou fez que não entendeu - empurrou a fralda com mais força e disse, com uma calma cativante, enquanto seu olhar atravessava meus olhos e furava a parede atrás de mim: "A-GO-RA". Troquei.
Converso com alguns marinheiros de primeira viagem. O frio na barriga é comum a todos. O receio de assumir esse frio também. Como se, por serem homens, não pudessem ficar assustados com algo novo, desconhecido. Pior, algo que vai acompanhá-los para o resto da vida.
E é nesse ponto que entra o problema real. "Para o resto da vida" é algo assustador para nós, homens.
Futebol, por exemplo, dura, quando muito, cento e vinte minutos, se tiver prorrogação, mais um pouco para penalidades. Namoro de escola, algumas semanas, quem sabe uns meses. Campeonato Brasileiro, oito meses. Jogos Olímpicos, um mês. Carro novo uns quatro, cinco anos (se agradar). Pringles e Coca-Cola, meia hora no máximo. Filme água com açúcar, umas duas horas. Se for Titanic, três horas e meia, mas você fica um bom tempo torcendo para o DiCaprio se afogar, o que faz o filme voar. Está vendo? Começo, meio e FIM. FIM!
É complicado, eu sei bem. Mas é apaixonante. O mais engraçado é que não há muito como explicar. É preciso sentir, ver, cuidar, trocar, dar banho, ensinar, abraçar, acariciar, colocar de castigo, rir, gargalhar, se emocionar, rolar no chão, fazer guerra de macarrão, medir febre, para se ter alguma idéia da dimensão, da força que liga um pai ao seu filho. Não importa como você faz, é importante fazer. Dar bronca dói mais em nós mesmos do que neles. Mas é necessário. E fazer bagunça escondido, como se por alguns instantes você pudesse voltar à infância e aprontar, é impagável.
Há pais que são certinhos, fazem apenas o que as esposas mandam e não arriscam nada. Há outros que se viram bem e até ousam fazer comida. Uns são amigos dos filhos, outros são mais distantes. Há os extremamente protetores, como também há os que não demonstram qualquer tipo de proteção e entendem que os machucados e band-aids fazem parte do aprendizado. Existem os que viajam por semanas e lidam bem com a saudade, outros que sofrem até mesmo por terem que ir à padaria comprar pão. E, não há dúvida, muitos são aqueles que misturam um pouco de tudo. Acho que estou nessa última. Acho.
Se você se encaixou numa dessas categorias e não gostou muito, fique tranquilo. Nenhuma delas é mais certa ou mais adequada. Assim como cada um gosta mais de uma cor ou de outra, torce para um time ou outro, a forma com que você lida com seus filhos é apenas uma preferência. É o jeito que você se sente mais confortável, é a forma que você entende ser a melhor para criá-lo, certo?
Então relaxe, dê banho no garoto, troque a fralda, ria, brinque, dance. Aproveite muito cada momento em que você se pegar sozinho com ele. Tenho certeza de que será inesquecível.
Louca essa vida, não é mesmo?
Feliz Dia dos Pais!


Comentário por Joselma Noal — 11 de agosto de 2008 (8:05)
Oi, João LuÃs. Obrigada pelo comentário no blog. E continue sendo um pai atleta bem cansado, mas bem feliz! Bonito texto Em nome dos pais…, a vida é louca mesmo, é mágica! Um abraço, Joselma