Compactos - Mickey Amaral

Os melhores (e piores) contos, crônicas, textos soltos e o que mais pintar…

Guia bem (mal) humorado das profissões - 24

27 de agosto de 2008

 

CHAPEIROS DE PADARIA

 

Têm coordenação motora e agilidade fora do comum. Conseguem cercar a gordura do queijo prato derretido, sem que ela avance e invada o seu peito de perú, mesmo que a inclinação da chapa jogue contra. Usam luvas plásticas para garantir a higiene dos alimentos, apesar de amarrem o cadarço dos sapatos COM elas. Se quiser que seu lanche saia “no capricho”, é bom acompanhar o time dele (só o dele… outro não é opção) no campeonato e, de bom grado, derrubar um ou dois Reais no balcão dia sim, dia não (no mínimo). Caso contrário, corre o risco de comer o que vier pela frente, misturado na manteiga do dia anterior. Fingem que são surdos, mas ouvem tudo. Sendo assim, jamais ouse pedir seu sanduíche duas vezes, achando que ele não prestava atenção. Você será odiado por isso. E, óbvio, não existe “só uma fatiazinha de queijo” ou “tem como tirar a gordura do presunto?”. Não quer gordura, coma uma maçã em casa e não vá encher o saco na padaria. Se quiser sair ileso, é bom não inventar o que não está descrito no cardápio. Você só terá direito a “mais um dedinho de café” quando o montante deixado no balcão ultrapassar a barreira dos cem Reais no mês. Aí você será o Rei da Espanha, chefia.

 

Amor é água. Ciúme é azeite.

21 de agosto de 2008

Lembra daquela aula de Ciências em que a professora pediu para você adicionar azeite numa garrafa com água e tentar, da forma que bem entendesse, misturar os líquidos?
E por mais que tentasse, por mais que chacoalhasse, fosse qualquer a artimanha usada, não havia como misturá-los? É mais ou menos assim que entendo os conceitos de amor e ciúme. Têm a mesma propriedade, são sentimentos, mas jamais podem ser misturados. Jamais.

Amor é água. Ciúme é azeite. Um completo absurdo, uma miopia alguém dizer que ama tanto uma pessoa, mas morre de ciúme dela. Essa conta não fecha. É dizer que 2+2 = 195.

Difícil explicar, mas vou tentar:

Amor começa e se encerra em você. Simples assim. Não depende de ninguém. Amor demanda atenção, dedicação, comprometimento, respeito. Principalmente respeito aos espaços e vontades de cada um. Quando amamos alguém verdadeiramente, deixamos até que esse alguém se vá, contanto que seja feliz… Meio louco, eu sei, mas é real. A felicidade da pessoa que amamos já nos basta. A saudade dela é algo bom, dá um gostoso frio na barriga. Não precisa, necessariamente de presença física. Precisa, sim, ser alimentado, vez em quando, como uma plantinha num vaso. Um olhar basta, um telefonema ajuda, um abraço talvez. Sabe amor de mãe ? Pois é…

Ciúme não. Esse cara é nocivo. É um traiçoeiro, vai jogar somente contra, vai desejar que a relação acabe e ficará rindo da sua cara. É um sujeito desconfiado, manipulador, hipócrita. Deve ter um montão de espinhas no rosto e um bafo horrível. Manquitola. Feio para dedéu. Sombrio. De fazer o Hannibal Lecter parecer a Madre Tereza de Calcutá. Esse mentecapto é quem te faz sofrer, chorar, perder tempo. É ele quem te faz ‘achar’ que a pessoa é sua, que deve tudo o que é exclusivamente a você - o que é uma tolice. E, quando a perde, é esse calhordinha que te faz jurar vingança, desejando que a pessoa suma, seja engolida e derreta no magma terrestre… se não é sua, não será de mais ninguém, não é isso? Tsc tsc…

Amor é água: incolor, inodoro, insípido, porém vital. É puro. Você precisa dele para viver, porque faz um bem danado. Sem ele, tudo fica mais difícil.
Ciúme é como azeite: tempera uma relação, até dá um gostinho, mas se ele não aparecer, a salada continua sendo saudável. Ou seja, precisar MESMO, não precisa. E se exagerar na dose, acaba fazendo mal ao coração (pegou? pegou?).

Pense nisso… e pare de gastar o precioso tempo da sua vida com bobagens como: (1) ficar enfiado no sofá, choramingando; (2) consumindo alucinadamente potes e potes de sorvete (???); (3) tentando moldar um boneco para brincar de vodú, enfiando agulhas e quiçá dando-lhe boas vassouradas; (4) prometendo que, se a pessoa engordar muito, muito mesmo, até explodir, você irá de joelhos até Nossa Senhora da Aparecida… Acredite, nada disso dá certo.

Portanto, abuse da água e evite azeite - garanto que seu coração ficará melhor e mais forte.

Guia bem (mal) humorado das profissões - 23

18 de agosto de 2008

 

MOTORISTAS DE ÔNIBUS

 

Acham que são os verdadeiros donos dos ônibus. Elegem seus próprios passageiros e jamais param para algum desconhecido. Com essa onda louca de assalto, não dá para arriscar, não é? Já imaginou se aquela titia de 97 anos, que mal consegue entrar naquele veículo, resolve tirar um AK-47 da sacola da feira, escondida atrás da alface? Na dúvida, passam reto. A velhota que se lixe. Assim como os taxistas, são proibidos de acionar o pisca-pisca. Enfiam, então, o braço para fora. E entram, tenha você visto aquele sinal ou não. Somente recebem salários se conseguirem grudar seus faróis nas traseiras de todos os veículos que estiverem à frente, principalmente no trânsito infernal. Um pré-requisito para seguir nessa profissão é não conseguir distinguir o verde do vermelho, o que explica a insistência em atravessar todos os faróis fechados.

 

Guia bem (mal) humorado das profissões - 22

14 de agosto de 2008

 

SEGURANÇAS PARTICULARES

 

Os caras mais mal humorados do planeta, inspiraram seus trajes nos heróis do filme “Homens de Preto”. Alguns, inclusive, utilizam o mesmo bigodinho ridículo do Will Smith. Jamais conte uma piada para eles, porque nunca acharão engraçada. É senso comum entre a categoria que qualquer outro habitante da Terra – mesmo uma mosca – é um assassino em potencial, ama Osama Bin Laden, quer explodir Nova Iorque e/ou carrega uma metralhadora giratória em sua mochila, disfarçada num inofensivo estojo de lápis de cor. Sem exceções. Amantes da tecnologia, utilizam seus comunicadores pendurados 24 horas por dia nos ouvidos, sendo que por 23 horas e meia conversam bobagens uns com os outros. A meia hora restante é para ler a página de esportes do jornal, enquanto abocanham uma ou duas coxinhas no boteco da esquina. Deveriam passar despercebidos, mas fazem um escarcéu tão grande que mesmo os cidadãos mais desligados param para ver quem é a celebridade que estará ali em instantes. E, normalmente, a tal figura é alguém chato e totalmente desinteressante. Se estiverem dentro de seus carrões, seguindo (de perto) o importado do patrão, é bom ficar longe. Com a desculpa de que seus trabalhos envolvem alto risco, arriscam, isso sim, a vida (dos outros) fazendo loucuras, buzinando e olhando feio para os lados. Que medo! QAP.

 

Guia bem (mal) humorado das profissões - 21

13 de agosto de 2008

 

PERSONAL TRAINER

Um professor de academia só seu. Se o REAL professor da academia já pega no seu pé, imagine, então, um cara que é pago para fazer especificamente isso. Ele fará você se arrepender profundamente de todo e qualquer pedaço de pizza que colocar na boca. Ele o convencerá a tomar suco de clorofila pela manhã. Ele dirá que não importa o gosto da barra de cereal mas, sim, a quantidade de carboidratos necessários na sua dieta – sorte sua que arame farpado não tem carboidrato, senão seria convidado a ingerir alguns metros por dia. Por mais que você sue a camisa, corra feito um Forrest Gump pela ruas, puxe todos os ferros possíveis, nunca estará no ponto adequado. E, pior, a taxa de gordura dele, que treina somente nos intervalos entre aulas, será sempre mais baixa que a sua. Opinião frequente entre os personal trainers é que todos os alunos são preguiçosos, não gostam de praticar exercícios, são lazanhudos, xexelentos, e deveriam vestir latas de óleo ao invés de roupas (o que, convenhamos, não é lá totalmente mentira). Mesmo que você esteja a ponto de explodir, que seus olhos estejam saltando do rosto, sempre é possível aumentar o peso. Culpa sua, que é preguiçoso. Dica: se você estiver pensando em contratar os serviços desse profissional, pesquise antes para qual time ele torce. Se for o seu, terá alguns segundos de moleza. Se for outro, um arquirival, sofrerá as consequências das derrotas traduzidas em quilos a mais no supino. Só mais um! Vamos! Foooorrrçaaaa!

 

Guia bem (mal) humorado das profissões - 20

11 de agosto de 2008

 

SECRETÁRIAS

 

Por questão de (sua) sobrevivênvia, lembre-se: ela são as pessoas mais importantes na hierarquia da empresa (e acreditam seriamente que sejam MESMO!). Qualquer tipo de comunicação com o presidente precisa invariavelmente passar pela aprovação prévia delas. Lêem todos os e-mails, cartas, memorandos, mesmo que nenhum deles lhes interesse. Sempre dão pitacos no seu trabalho, mesmo que não entendam bulufas daquilo. É bom agradá-las de tempos em tempos, elogiando suas roupas e sapatos, o penteado e (quiçá) a nova tintura. Levar um chocolatinho, então, acompanhado de um elogio à forma física delas, será para ela melhor que um filme água com açúcar ou o último capítulo da novela. Jamais ouse esquecer a data de aniversário delas, caso contrário aquela reunião urgente será marcada para dali umas 23 semanas. Sabem de tudo o que está rolando. Se você sair da linha, receberá um olhar fulminante de reprovação, daqueles “eu sei o que você aprontou, rapaz…”. Extremamente hábeis, ao mesmo tempo em que digitam um texto em alemão, ouvem música clássica, retocam a maquiagem, reservam vôos e controlam a agenda de seus chefes. E com apenas UMA das mãos. Têm posturas impecáveis, sempre com as costas retas. Pode reparar!

 

Em nome dos pais…

7 de agosto de 2008

 

Talvez eu tenha meus defeitos como pai.
Certamente tenho. Vários.
Talvez tenha errado em alguns momentos com atitudes inesperadas, por vezes incorretas.
Exageradas - quem sabe?
Talvez em outras tantas tenha acertado, sem saber muito o por quê do acerto.
Puro instinto? Talvez.

Ser pai é um pouco assim. Principalmente quando é o primeiro filho. Erramos muito, eu erro todo dia, num louco processo mútuo de aprendizado.

Homem é bicho besta, acha que sabe tudo, que controla, manda, desmanda, faz e acontece. Até que um nanico resolve aparecer na vida dele. E o tal controle vira de pernas para o ar, da noite para o dia. Peça para o cara enfrentar um Mastim Napolitano feroz só na base da bofetada, vestindo não mais do que uma sunga, mas jamais ouse pedir para que ele dê banho num bebê. Principalmente se você for daquelas esposas sacanas o suficiente para ficar ao lado, olhando e comentando cada gesto. Vai levar o cara à loucura.

Lembro-me bem da primeira vez que minhas habilidades como "pai recente" foram testadas. Na maternidade, eis que a enfermeira estende-me uma fralda novinha, cheirosinha, e pede gentilmente: "troque seu filho". Ao que se seguiu minha (óbvia) resposta: "Trocar? Por que? Eu gosto dele. Não quero outro, nao.". Claro que ela não entendeu a piada - ou fez que não entendeu - empurrou a fralda com mais força e disse, com uma calma cativante, enquanto seu olhar atravessava meus olhos e furava a parede atrás de mim: "A-GO-RA". Troquei.

Converso com alguns marinheiros de primeira viagem. O frio na barriga é comum a todos. O receio de assumir esse frio também. Como se, por serem homens, não pudessem ficar assustados com algo novo, desconhecido. Pior, algo que vai acompanhá-los para o resto da vida.

E é nesse ponto que entra o problema real. "Para o resto da vida" é algo assustador para nós, homens.

Futebol, por exemplo, dura, quando muito, cento e vinte minutos, se tiver prorrogação, mais um pouco para penalidades. Namoro de escola, algumas semanas, quem sabe uns meses. Campeonato Brasileiro, oito meses. Jogos Olímpicos, um mês. Carro novo uns quatro, cinco anos (se agradar). Pringles e Coca-Cola, meia hora no máximo. Filme água com açúcar, umas duas horas. Se for Titanic, três horas e meia, mas você fica um bom tempo torcendo para o DiCaprio se afogar, o que faz o filme voar. Está vendo? Começo, meio e FIM. FIM!

É complicado, eu sei bem. Mas é apaixonante. O mais engraçado é que não há muito como explicar. É preciso sentir, ver, cuidar, trocar, dar banho, ensinar, abraçar, acariciar, colocar de castigo, rir, gargalhar, se emocionar, rolar no chão, fazer guerra de macarrão, medir febre, para se ter alguma idéia da dimensão, da força que liga um pai ao seu filho. Não importa como você faz, é importante fazer. Dar bronca dói mais em nós mesmos do que neles. Mas é necessário. E fazer bagunça escondido, como se por alguns instantes você pudesse voltar à infância e aprontar, é impagável.

Há pais que são certinhos, fazem apenas o que as esposas mandam e não arriscam nada. Há outros que se viram bem e até ousam fazer comida. Uns são amigos dos filhos, outros são mais distantes. Há os extremamente protetores, como também há os que não demonstram qualquer tipo de proteção e entendem que os machucados e band-aids fazem parte do aprendizado. Existem os que viajam por semanas e lidam bem com a saudade, outros que sofrem até mesmo por terem que ir à padaria comprar pão. E, não há dúvida, muitos são aqueles que misturam um pouco de tudo. Acho que estou nessa última. Acho.

Se você se encaixou numa dessas categorias e não gostou muito, fique tranquilo. Nenhuma delas é mais certa ou mais adequada. Assim como cada um gosta mais de uma cor ou de outra, torce para um time ou outro, a forma com que você lida com seus filhos é apenas uma preferência. É o jeito que você se sente mais confortável, é a forma que você entende ser a melhor para criá-lo, certo?

Então relaxe, dê banho no garoto, troque a fralda, ria, brinque, dance. Aproveite muito cada momento em que você se pegar sozinho com ele. Tenho certeza de que será inesquecível.

Louca essa vida, não é mesmo?

Feliz Dia dos Pais!

Guia bem (mal) humorado das profissões - 19

 

COMENTARISTAS ESPORTIVOS

 

Nunca dirigiram sequer o time de anões da Vila Matilde, mas juram conhecer todas (repito, TODAS!) as táticas e estratégias possíveis dentro das quatro linhas. Sempre discordam das alterações dos técnicos. Na maioria das vezes, dizem exatamente aquilo que os telespectadores estão vendo (e, sendo assim, não precisariam ouvir de outra pessoa). Afirmam que todo time precisa de um ou outro atleta como reforço e, quando chega algum, dizem que não era “bem aquele” que solucionaria o problema de vez. Adoram ver 137 vezes o replay do lance em que o juiz marcou impedimento, de 19 ângulos diferentes, só para provar que o cara errou. Metem o pau num jogador, mas quando este é o convidado especial do programa, pedem autógrafo para os filhos e os vizinhos. Para todo o jogo apontam um favorito, mas deixam em aberto, caso esse time não entre com a mesma “pegada” de sempre. Ou seja, eles nunca têm um favorito de verdade.

Guia bem (mal) humorado das profissões - 18

5 de agosto de 2008

 

MARQUETEIROS

 

São publicitários que não conseguiram vagas em agências de propaganda e, para não darem o braço a torcer, dizem que preferem muito mais a vida corporativa. Mentira. São também os maiores enroladores e cascateiros que existem. Sabem que o produto do concorrente é muito melhor, mas jamais confirmarão isso, mesmo sob tortura chinesa. Inventam as maiores ladainhas para tentar arrancar um pouco mais de verba da diretoria, mas nunca têm exito. Seus maiores inimigos são os Diretores Financeiros que, de propósito, dizem que não entendem nada de conceitos de Kotler e querem saber de números – exatamente por saberem que marqueteiros não sabem resolver nem as quatro operações básicas de matemática. Usam siglas complicadíssimas, como GRP e 4Ps, que nem mesmo eles sabem explicar. Abusam de clichês que precisam, invariavelemente, ser acompanhados pelas explicações, porque soltos não querem dizer absolutamente nada (ou tudo) como “agregar valor”. Amam de paixão um terno “risca de giz” com camisa azul e gravata rosa. Entre os favoritos do navegador de internet constam: Apple, Caderno 2, CNN (só para fazer graça), Google maps e a coluna do José Simão.

 

Guia bem (mal) humorado das profissões - 17

1 de agosto de 2008

 

Psicólogos

 

Adoram Freud, coisa que nem ele mesmo explica. Acreditam piamente que os sonhos das pessoas, por mais bestas e inofensivos que sejam, são, não verdade, a “satisfação alucinatória de um desejo sexual infantil reprimido”. Juro. Pode perguntar a qualquer um deles. Se você ousou sonhar com uma lata de leite condensado, é porque deve morrer de tesão pelo logotipo da Nestlé (desde criancinha), pelo frio do metal ou, quem sabe, pelas curvas da embalagem. Concordo, é sexy mesmo. Vejo várias pessoas se esfregando em latas de leite condensado nas gôndolas dos supermercados. Pare de rir, é sério! Tirando os profissionais que atuam nas áreas de Recursos Humanos das empresas, sempre imagino um psicólogo sentado numa poltrona de couro com acabamento capitonê, afundado, pernas cruzadas, bloco de anotações no colo, caneta Bic numa das mãos, óculos moderninho na outra, mordiscando a ponta da haste. Enquanto o paciente, aquele louco (só pode ser louco) deitado no divã, divaga sobre sua vida, suas manias, seus fracassos, suas vitórias, o profissional da poltrona faz rabiscos, intercalando comentários como “interessante” ou “muito interessante”. Você, o paciente, imagina que ele esteja fazendo análises profundas sobre sua personalidade mas, na verdade, o que ele está fazendo é tentando entender como o Daniel Azulay conseguia fazer, de um rabisco qualquer na lousa, um carro-conceito.

 

Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://mickeyamaral.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.