Diário de Bordo (14)
19 de junho de 2008
Dia 5 de junho
Consegui dormir um pouco, mas acordei assustado com um pesadelo horrível. Aquele animal gigantesco me perseguia num labirinto e, quando conseguiu me pegar, olhei para o seu rosto e vi a fisionomia da minha sogra, rindo sarcástica, com mandíbulas abertas prontas para me devorar. Ainda bem que foi só um sonho ruim. Mas que a velha combinou no papel de monstro, combinou. Comi uma porção de ração – blergh! – e saí atrás das amostras de plantas, indo para o outro lado. Queria evitar encontrar a família inimiga de novo, a todo custo. Amostras recolhidas. No caminho de volta, quando avistei a nave, percebi que não estava sozinho. Os bichos – todos eles – haviam encontrado meu bólido. Parei o quadriciclo e desliguei o motor. Fiquei escondido atrás de um arbusto. Os pequenos entravam na nave e saíam com as latas da minha ração. Os grandes rasgavam a embalagem de metal e todos experimentavam a massaroca. Dois minutos depois, debandada geral. Acho que nem os intestinos de outro mundo são capazes de suportar aquela gororoba fedorenta e sem gosto. Pelo menos o banheiro deles não devia ser o mesmo que o meu. Voltei para a nave. Tinha que preparar os equipamentos para ir embora. Tomara tenham deixado uma lata para levar para a minha sogra. Mas tem bastante, isso não será um problema. A velha me paga.
(continua… noutro dia…)

